PL debate candidatura própria à presidência da Câmara após oficializar Rogério Marinho para o Senado

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 04/11/2026 18:35
PL debate candidatura própria à presidência da Câmara após oficializar Rogério Marinho para o Senado

Foto: Simone Risoluti/Reuters

O Partido Liberal (PL) está dividido quanto à possibilidade de apresentar candidatura própria ao comando da Câmara dos Deputados, depois de oficializar, nesta quarta‑feira (4), a nomeação de Rogério Marinho (RN) para a disputa da presidência do Senado.

Em reunião realizada na terça‑feira (3) com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e lideranças da sigla, duas correntes se opuseram. Uma ala, que defende a aliança com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), alerta que a não adesão ao bloco de Motta pode isolar o PL, fazendo com que perca o direito de pleitear as presidências das comissões mais relevantes.

Motta já conta com o apoio de quinze partidos, o que deve constituir o maior bloco da Casa. Segundo projeções técnicas da Câmara, caso o PL fique fora desse bloco, a sigla teria a 16ª escolha para presidir comissões, o que a relegaria a colegiados de menor prestígio. Por outro lado, se integrar o bloco, o PL teria preferência para as três primeiras comissões, já que elegeu a maior bancada para a legislatura de 2027.

O PSB, PDT e PV declararam apoio à reeleição de Motta e se juntam ao bloco majoritário. Um parlamentar que preferiu não se identificar afirmou que “um gesto como esse nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”.

Essa discussão remete a um episódio anterior, como já apontamos na cobertura da PEC da Segurança Pública, quando o PL enfrentou divisão interna no Senado em 2023. Na ocasião, Rogério Marinho insistiu em enfrentar o então presidente Rodrigo Pacheco, perdeu a disputa e o partido ficou sem comissões e sem espaço na Mesa Diretora, fato que, segundo membros da ala pragmática, fez o PL “se arrepender amargamente”.

Nas duas últimas eleições para a presidência da Câmara, o PL e o PT estiveram no mesmo bloco: em 2023 apoiando Arthur Lira (PP‑AL) e, em 2025, apoiando Hugo Motta. A corrente que advoga pela aliança com Motta deseja repetir essa estratégia.

Entretanto, parte da bancada, especialmente deputados novatos, defende a candidatura própria. Um deputado, que pediu anonimato, declarou que “queremos uma candidatura própria, seja para ganhar ou para perder”, argumentando que apoiar Motta e permanecer no mesmo bloco do PT poderia ser mal visto pelos eleitores. Ele apontou que a “gota d’água” foi a defesa pública, pelo presidente da Câmara, da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os parlamentares que defendem a candidatura própria ressaltam que, nos últimos anos, o peso dos colegiados tem diminuído, já que o presidente da Casa costuma aprovar requerimentos de urgência e encaminhar propostas diretamente ao plenário, reduzindo a influência das comissões. Embora a liderança das comissões permita a negociação de emendas vinculadas a recursos que não são de execução obrigatória pelo governo federal, os deputados dessa ala consideram que abrir mão de uma candidatura por essas emendas não compensa.

Após a reunião, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) manifestou apoio à candidatura própria do partido e sugeriu dois nomes para disputar a presidência da Câmara: Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL‑SP) e Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ). “Eu vejo que espaços na Câmara têm um peso menor do que a gente simplesmente estar junto, caminhando junto com o Hugo Motta e ter algum tipo de espaço, prioridade, comissões dentro da Câmara”, disse Nikolas. “Minha posição é que existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões, que são importantes, mas que agora o peso maior é uma resposta que a gente tem que dar ao povo brasileiro”.

A bancada do PL deverá se reunir novamente na próxima quarta‑feira (11) para definir se apoiará Hugo Motta e qual nome, se houver, será lançado como candidato à presidência da Câmara. Independentemente da decisão do PL, o Partido dos Trabalhadores (PT) já anunciou apoio formal a Motta e está se articulando para impedir que o partido de oposição entre no bloco.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.