Virginia Fonseca lista ‘hábitos tóxicos’ e neuropsicólogas explicam quando há risco
Virginia Fonseca aderiu a uma trend que circula nas redes sociais e propõe identificar comportamentos rotulados como “tóxicos”. Em uma publicação recente, a influenciadora marcou dez atitudes com as quais se reconhece, entre elas ignorar mensagens por dias, mexer no celular enquanto alguém está falando e cancelar compromissos de última hora.
Além dos três exemplos citados, a lista de Virginia inclui procrastinar tarefas simples, gastar por impulso, interromper conversas para checar notificações, ficar excessivamente conectado antes de dormir, evitar confrontos diretos, adiar decisões importantes e usar o telefone como fuga emocional. Essa variedade demonstra que a trend reúne comportamentos de origens distintas sob um mesmo rótulo.
Para a neuropsicóloga Roberta Machado, entrevistada pela coluna de Fábia Oliveira, é fundamental evitar tanto a banalização quanto a tentativa de transformar a lista em diagnóstico clínico. “Não podemos olhar uma lista de hábitos publicada nas redes e concluir que alguém tem TDAH, ansiedade ou outro transtorno”, afirma.
Machado destaca que a relevância está na frequência, intensidade e, sobretudo, no impacto que esses comportamentos provocam na vida cotidiana. “Procrastinar, ignorar mensagens ou cancelar compromissos não indica, isoladamente, um transtorno; porém, se esses padrões se tornam recorrentes e prejudicam relações ou rotinas, vale a atenção”, explica.
Do ponto de vista da neuropsicologia, as atitudes citadas envolvem funções como atenção, planejamento, controle inibitório e regulação emocional. A própria estratégia de marketing de Virginia, que viralizou rapidamente, pode ter o lado positivo de estimular a auto‑observação, segundo Roberta: “Em vez de dizer ‘eu sou assim’, a pessoa pode questionar se o hábito está lhe fazendo bem ou atrapalhando”.
Um dos comportamentos mais comentados foi o de usar o celular enquanto outra pessoa fala. Gabriela Mazaro, diretora escolar e neuropsicopedagoga, alerta que essa prática, naturalizada pelos adultos, influencia crianças e adolescentes que aprendem pelo exemplo. “Não basta cobrar limites dos jovens se, nas refeições familiares, os próprios adultos estão constantemente no telefone”, afirma.
Mazaro reforça que o ambiente digital não é inimigo, mas que deve ser monitorado quando substitui sono, convivência, estudos, atividade física ou relações presenciais. Mudanças persistentes de comportamento, irritabilidade ao ficar sem o aparelho e isolamento são sinais que merecem observação.
Roberta conclui que reconhecer um padrão pode ser o primeiro passo para modificá‑lo, desde que não se transforme em autodiagnóstico. “A pergunta crucial é se o comportamento acontece ocasionalmente ou se já se tornou um padrão que prejudica a vida, os compromissos e as relações”, finaliza.
Não é a primeira vez que Virginia gera debates nas redes; após o vídeo polêmico gravado em Madrid que viralizou em agosto, a influenciadora volta a ser pauta, agora ao abordar hábitos cotidianos sob a ótica da saúde mental.
Com informacoes de Metrópoles.

