Vorcaro e presidente do União Brasil discutiram termos de contrato milionário do BRB
Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, indicam que os dois discutiram em detalhes os termos da compra da BRB Financeira, financeira do Banco de Brasília (BRB). Segundo a apuração, Rueda e Vorcaro se encontraram pessoalmente ao menos duas vezes durante as negociações, em suas respectivas mansões no Lago Sul, região nobre de Brasília.
A compra da BRB Financeira foi feita por um grupo liderado por José Ricardo Lemos Rezek, amigo próximo de Rueda. Em reportagem publicada em maio, a coluna já havia revelado que o negócio, descrito como um acordo "de pai para filho", enfrentou resistência dentro e fora do banco estatal.
Rueda foi eleito em outubro como deputado federal pelo Rio de Janeiro, com influência de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, preso sob suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro e de ter conexões com o Comando Vermelho e milícias. Na época da negociação, porém, Rueda não tinha mandato eletivo.
O consórcio encabeçado por Rezek se comprometeu a pagar R$ 320 milhões em 10 parcelas anuais. No entanto, os lucros da financeira variavam em torno de R$ 90 milhões por ano, segundo fontes do BRB. Com isso, a aquisição sairia praticamente sem custo, já que os lucros da empresa adquirida superariam o valor das parcelas.
Uma das conversas ocorreu em 1º de julho de 2024, quatro dias antes de Paulo Henrique Costa anunciar ao mercado uma "parceria estratégica" entre o consórcio de Rezek e o BRB. A transação só foi concretizada em março de 2025, na mesma época em que o banco de Brasília anunciou a compra do Banco Master. Oficialmente, Rueda não tinha relação com o negócio, mas as mensagens mostram que, na prática, ele discutia seus termos com Vorcaro em detalhes.
Na troca de mensagens de julho de 2024, Rueda envia a Vorcaro um trecho de um "acordo com acionistas" do BRB. Em resposta, o banqueiro sugere um ajuste no texto para constar a outorga de poder para operações financeiras e de crédito. Na minuta enviada por Rueda, o nome da BRB Financeira não aparece diretamente, mas o do banco sim, junto com termos próprios da atividade das financeiras. O texto prevê ampla autonomia para os diretores indicados pelo consórcio, incluindo o diretor financeiro, que teria liberdade para aprovar operações, entre outras cláusulas técnicas.
Dois dias depois, Vorcaro escreveu avisando que estava atrasado para uma reunião com Rueda em Brasília: "Atrasou aqui pra liberarem decolagem to decolando agora. Devo pousar 16:30 e vou direto para ai." Rueda respondeu com seu endereço na capital federal. Não ficou claro onde Vorcaro estava antes de decolar.
Questionado pela coluna sobre seu papel e o do banqueiro nas tratativas, Antonio Rueda afirmou que sua atuação "em todas as questões relativas ao Banco Master limitou-se à assessoria jurídica, sempre na condição de advogado, no exercício regular da profissão e dentro dos limites legais e éticos", e que, por isso, "as comunicações com clientes são protegidas pelo sigilo profissional".
Com informacoes de O GLOBO.

