Centrão tenta limitar cargos do PT na articulação política de Lula e enfrenta resistência

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/11/2026 11:00
Centrão tenta limitar cargos do PT na articulação política de Lula e enfrenta resistência

Foto: via O GLOBO

O Partido dos Trabalhadores (PT) mantém, no início do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a chefia dos ministérios de Relações Institucionais e da Casa Civil, além de ocupar posições de liderança do governo na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e no Congresso Nacional.

A federação formada por União Brasil, Partido Progressista (PP) e Republicanos – partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições – está entre os que aceitam uma aliança com o presidente em troca de garantias de governabilidade no Legislativo. O MDB e o PSD, que permaneceram neutros nas urnas, também negociam espaço no novo governo.

Os cinco partidos que integraram a Esplanada no terceiro mandato ainda não definiram oficialmente se atuarão como base, oposição ou força independente.

“O governo tem que ser amplo. O presidente vai precisar de apoio e não pode fechar só com o PT no comando político. Isso foi um erro nesse governo Lula 3”, afirmou Augusto Coutinho (PE), líder dos Republicanos na Câmara, ressaltando que as conversas ainda não foram iniciadas.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, declarou que seu partido foi procurado pelo Executivo para participar das negociações.

Dentro do PT, o ministro José Guimarães, responsável pelas Relações Institucionais e pela articulação política, defende que a abertura de cargos seja condicionada à garantia de votos no Congresso, algo que nem sempre ocorreu durante o terceiro mandato.

Analistas governistas e representantes do Centrão alertam que Lula poderá enfrentar maiores dificuldades no quarto mandato devido ao crescimento das bancadas do Partido Liberal (PL). A legenda de Flávio Bolsonaro deve contar, no próximo ano, com 121 deputados federais – 24 a mais que atualmente – e 28 senadores, representando mais de um terço da Casa. O PT, com 70 deputados, precisará de alianças com União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB para alcançar maioria nas votações.

Lula tem trabalhado para garantir a reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP). Os aliados acreditam que o presidente ficará mais dependente dessas lideranças para aprovar suas iniciativas.

Os governistas avaliam que o presidente precisará ampliar sua base na Câmara para compensar as dificuldades no Senado, onde a oposição tem ganhado força e pode pressionar por confrontos com o governo e o Supremo Tribunal Federal.

Mesmo que Republicanos, PP e União Brasil tenham apoiado Flávio no segundo turno, seus integrantes lembram que as siglas permaneceram neutras no primeiro turno, não contribuíram para o aumento do tempo de televisão do senador do PL e liberaram suas alas lulistas para seguir a orientação no segundo turno, como ocorreu com os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP‑PB) e Silvio Costa Filho (Republicanos‑PE).

Existe a percepção de que cargos na articulação política geram desgaste natural devido aos atritos entre Congresso e Executivo. Muitas legendas do Centrão preferem ministérios com capacidade de entrega de obras, como os de Cidades e Desenvolvimento Regional.

Uma das propostas avaliadas pelo Centrão é indicar Silvio Costa Filho (Republicanos‑PE) ao Ministério das Relações Institucionais, cargo responsável direto pela negociação do governo com o Congresso. O deputado, próximo ao presidente da Câmara, foi ministro de Portos e Aeroportos no governo de Lula e atualmente lidera a maioria na Casa.

A bancada do PP também se movimenta para ocupar cargos no Executivo. O partido indicou o deputado André Fufuca para o Ministério do Esporte durante o terceiro mandato; Fufuca foi eleito senador e ainda não há previsão se retornará ao governo ou exercerá seu mandato.

Em paralelo, esforços são feitos para levar Aguinaldo Ribeiro (PP) à Esplanada. Os deputados Moses Rodrigues (União‑CE) e Pedro Lucas Fernandes (União‑MA) buscam aprovação de seu partido para serem indicados como ministros.

Diante do cenário adverso no Senado, o Palácio do Planalto pretende evitar a situação ocorrida na terceira gestão de Lula, quando senadores eleitos assumiram cargos na Esplanada e deixaram suplentes na Câmara que, segundo avaliação, não possuem expressão política significativa.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.