Alcolumbre e Marinho se aproximam na disputa aberta pelo comando do Senado
Partidos alinhados a Davi Alcolumbre (União‑AP) contabilizam 33 cadeiras no Senado, enquanto os apoiadores de Rogério Marinho (PL‑RN) somam 32, segundo projeções divulgadas pelos bastidores da corrida para a presidência da Casa em fevereiro de 2027.
A existência de dissidências internas, a natureza secreta da votação e a candidatura de Tereza Cristina (PP‑MS) tornam incerta a conquista dos 41 votos necessários para a eleição, já que a soma de apoios declarados por ambos os candidatos chega a até 48 votos, embora a Câmara Alta tenha apenas 81 integrantes.
Sem maioria individual confirmada, Alcolumbre e Marinho buscam parlamentares dissidentes de outras bancadas para alcançar a maioria absoluta, enquanto a terceira candidatura de Tereza Cristina pode reconfigurar ainda mais o cenário.
Na quarta‑feira, dia 4, Alcolumbre indicou Eduardo Gomes (PL‑TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. A escolha, feita em meio às articulações do presidente para angariar apoio no PL, não implica que Gomes tenha anunciado voto na reeleição de Alcolumbre.
No mesmo dia, o PL lançou oficialmente a candidatura de Rogério Marinho ao Senado, afirmando que já dispõe de “mais de 40 votos” e que “temos com certeza mais de 40 votos” para vencer a eleição.
As projeções de aliados de ambos os candidatos incluem senadores contabilizados pelos dois lados, mas a votação será secreta, permitindo que parlamentares contrariem orientações partidárias sem que suas escolhas sejam reveladas publicamente.
O PL deverá ter a maior bancada no Senado em 2027, com 29 integrantes. Com o apoio dos três representantes do Novo, o bloco de Marinho chega a 32 cadeiras, precisando de, no mínimo, nove votos de outras legendas caso todos os aliados o acompanhem.
Alcolumbre conta com o respaldo do PT, MDB, PSD e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A soma desses partidos totaliza 33 cadeiras: dez ou onze do PT, oito do MDB, seis do PP, cinco do União Brasil e três ou quatro do PSD. Seriam necessários ainda oito votos adicionais para alcançar a maioria absoluta, desconsiderando eventuais dissidências.
Uma das contas feitas por aliados de Marinho prevê quatro votos do Republicanos, dois do PP e um de cada uma das bancadas do MDB, Podemos e PSD, totalizando 41 votos, embora não haja compromissos individuais confirmados.
A distribuição partidária não permite afirmar quem está mais próximo da vitória, já que o PP enfrenta divisões internas e Alcolumbre tenta atrair parlamentares do próprio PL.
Partidos pró‑reeleição de Hugo Motta representam 70% da nova Câmara, fato que pode influenciar as negociações no Senado.
Apesar da federação União Progressista ter anunciado apoio a Alcolumbre, Tereza Cristina mantém sua candidatura própria, buscando se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP‑SP) declarou que não votará no atual presidente e defendeu a união da direita em torno de Marinho ou da senadora.
Em entrevista à CNN, Tereza Cristina reafirmou a intenção de ser a primeira mulher presidente do Senado, dizendo: “Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora”.
Com três nomes em disputa, a direita se divide. Marinho e Tereza conversam sobre a possibilidade de uma candidatura única, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo; o senador do PL espera convergência antes de fevereiro, enquanto a ex‑ministra da Agricultura mantém seu nome.
O Republicanos, com cinco senadores, também é alvo de articulações. Uma adesão integral elevaria para 37 as cadeiras dos partidos alinhados a Marinho, ainda quatro abaixo da maioria necessária. A legenda não anunciou apoio coletivo, mas o voto de Hamilton Mourão (RS) é considerado certo pelo líder da oposição.
Alcolumbre criticou ataques pessoais e o clima de radicalização política em pronunciamento no plenário após debate sobre maioridade penal, afirmando: “A gente precisa respeitar todas as opiniões, o contraditório e as divergências. Mas está impossível!”.
Marinho, por sua vez, acusou Alcolumbre de tentar cooptar parlamentares oferecendo recursos e vantagens políticas, sem apresentar provas, ao dizer: “Porque ele pode cooptar. Como? Com um sorriso bonito? Um abraço fraterno? Não. Com aquilo que ele não pode dizer: com verbas, com vantagens e com atalhos”.
A indicação de Eduardo Gomes para a relatoria da LDO ocorre nesse ambiente de negociação; Tereza Cristina foi considerada para a função, mas recusou a indicação. A escolha de Gomes, por si só, não comprova apoio eleitoral nem irregularidade.
Marinho defende que os senadores revelem publicamente seus votos, apesar do sigilo previsto para a eleição da Mesa, enquanto Alcolumbre ironiza os ataques à urna e lamenta eleitos sem proposta. A formação do quarto governo Lula poderá alterar os nomes que participarão da disputa.
Com informacoes de Congresso em Foco.

