Alcolumbre e Marinho se aproximam na disputa aberta pelo comando do Senado

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/11/2026 03:00
Alcolumbre e Marinho se aproximam na disputa aberta pelo comando do Senado

Foto: via Congresso em Foco

Partidos alinhados a Davi Alcolumbre (União‑AP) contabilizam 33 cadeiras no Senado, enquanto os apoiadores de Rogério Marinho (PL‑RN) somam 32, segundo projeções divulgadas pelos bastidores da corrida para a presidência da Casa em fevereiro de 2027.

A existência de dissidências internas, a natureza secreta da votação e a candidatura de Tereza Cristina (PP‑MS) tornam incerta a conquista dos 41 votos necessários para a eleição, já que a soma de apoios declarados por ambos os candidatos chega a até 48 votos, embora a Câmara Alta tenha apenas 81 integrantes.

Sem maioria individual confirmada, Alcolumbre e Marinho buscam parlamentares dissidentes de outras bancadas para alcançar a maioria absoluta, enquanto a terceira candidatura de Tereza Cristina pode reconfigurar ainda mais o cenário.

Na quarta‑feira, dia 4, Alcolumbre indicou Eduardo Gomes (PL‑TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. A escolha, feita em meio às articulações do presidente para angariar apoio no PL, não implica que Gomes tenha anunciado voto na reeleição de Alcolumbre.

No mesmo dia, o PL lançou oficialmente a candidatura de Rogério Marinho ao Senado, afirmando que já dispõe de “mais de 40 votos” e que “temos com certeza mais de 40 votos” para vencer a eleição.

As projeções de aliados de ambos os candidatos incluem senadores contabilizados pelos dois lados, mas a votação será secreta, permitindo que parlamentares contrariem orientações partidárias sem que suas escolhas sejam reveladas publicamente.

O PL deverá ter a maior bancada no Senado em 2027, com 29 integrantes. Com o apoio dos três representantes do Novo, o bloco de Marinho chega a 32 cadeiras, precisando de, no mínimo, nove votos de outras legendas caso todos os aliados o acompanhem.

Alcolumbre conta com o respaldo do PT, MDB, PSD e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A soma desses partidos totaliza 33 cadeiras: dez ou onze do PT, oito do MDB, seis do PP, cinco do União Brasil e três ou quatro do PSD. Seriam necessários ainda oito votos adicionais para alcançar a maioria absoluta, desconsiderando eventuais dissidências.

Uma das contas feitas por aliados de Marinho prevê quatro votos do Republicanos, dois do PP e um de cada uma das bancadas do MDB, Podemos e PSD, totalizando 41 votos, embora não haja compromissos individuais confirmados.

A distribuição partidária não permite afirmar quem está mais próximo da vitória, já que o PP enfrenta divisões internas e Alcolumbre tenta atrair parlamentares do próprio PL.

Partidos pró‑reeleição de Hugo Motta representam 70% da nova Câmara, fato que pode influenciar as negociações no Senado.

Apesar da federação União Progressista ter anunciado apoio a Alcolumbre, Tereza Cristina mantém sua candidatura própria, buscando se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.

O senador eleito Guilherme Derrite (PP‑SP) declarou que não votará no atual presidente e defendeu a união da direita em torno de Marinho ou da senadora.

Em entrevista à CNN, Tereza Cristina reafirmou a intenção de ser a primeira mulher presidente do Senado, dizendo: “Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora”.

Com três nomes em disputa, a direita se divide. Marinho e Tereza conversam sobre a possibilidade de uma candidatura única, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo; o senador do PL espera convergência antes de fevereiro, enquanto a ex‑ministra da Agricultura mantém seu nome.

O Republicanos, com cinco senadores, também é alvo de articulações. Uma adesão integral elevaria para 37 as cadeiras dos partidos alinhados a Marinho, ainda quatro abaixo da maioria necessária. A legenda não anunciou apoio coletivo, mas o voto de Hamilton Mourão (RS) é considerado certo pelo líder da oposição.

Alcolumbre criticou ataques pessoais e o clima de radicalização política em pronunciamento no plenário após debate sobre maioridade penal, afirmando: “A gente precisa respeitar todas as opiniões, o contraditório e as divergências. Mas está impossível!”.

Marinho, por sua vez, acusou Alcolumbre de tentar cooptar parlamentares oferecendo recursos e vantagens políticas, sem apresentar provas, ao dizer: “Porque ele pode cooptar. Como? Com um sorriso bonito? Um abraço fraterno? Não. Com aquilo que ele não pode dizer: com verbas, com vantagens e com atalhos”.

A indicação de Eduardo Gomes para a relatoria da LDO ocorre nesse ambiente de negociação; Tereza Cristina foi considerada para a função, mas recusou a indicação. A escolha de Gomes, por si só, não comprova apoio eleitoral nem irregularidade.

Marinho defende que os senadores revelem publicamente seus votos, apesar do sigilo previsto para a eleição da Mesa, enquanto Alcolumbre ironiza os ataques à urna e lamenta eleitos sem proposta. A formação do quarto governo Lula poderá alterar os nomes que participarão da disputa.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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