XP Investimentos recomenda compra de Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) e aponta favorita, divergindo de BTG e Bradesco BBI

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 25/09/2026 21:25
XP Investimentos recomenda compra de Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) e aponta favorita, divergindo de BTG e Bradesco BBI

Foto: via Money Times

A XP Investimentos se destacou em relação a outras corretoras ao recomendar compra tanto da Suzano (SUZB3) quanto da Klabin (KLBN11). Embora a casa veja as duas ações como beneficiadas pelo cenário favorável dos preços da celulose no curto prazo, ela indica uma preferência clara pela Suzano para capturar o atual impulso positivo.

Para a Suzano, a XP definiu preço‑alvo de R$ 60, o que representa um potencial de valorização de 31,61 %. Já a Klabin tem preço‑alvo de R$ 24, implicando upside de 31,29 %. Mesmo reconhecendo espaço para ambas, a corretora considera a Suzano o ativo mais adequado para aproveitar o “momentum” da celulose.

Essa leitura difere das recomendações recentes do BTG Pactual e do Bradesco BBI. O BTG, em relatório publicado nesta semana, descreveu a recuperação da celulose como um “miniciclo” impulsionado pela retomada das compras chinesas, estoques menores e oferta mais restrita, recomendando compra da Suzano com preço‑alvo de R$ 72 e mantendo a Klabin em neutro com alvo de R$ 23. O Bradesco BBI também manteve a Suzano como sua principal escolha, com recomendação de compra e preço‑alvo de R$ 59, mas rebaixou a Klabin de compra para neutro, reduzindo seu alvo de R$ 24 para R$ 21.

Segundo a XP, o setor de papel e celulose ficou significativamente atrás do mercado nos últimos 12 meses, pressionado pela valorização do real e por fundamentos mais fracos da commodity. No curto prazo, porém, o cenário melhorou graças à menor disponibilidade de celulose no mercado spot, à redução dos estoques e à inflação de custos enfrentada pelos produtores integrados chineses. A XP ainda destaca os recentes anúncios de reajustes de preços da celulose para setembro e outubro de 2026, sendo que a Suzano anunciou um novo aumento para outubro, reforçando a percepção de melhora no mercado.

Com base nos dados dos analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, as ações SUZB3 e KLBN11 acumularam altas entre 5 % e 15 % no último mês.

A XP aponta que a limitação da oferta no mercado spot, a entrada restrita de nova produção no terceiro trimestre, a queda dos estoques e a pressão sobre os custos dos produtores integrados chineses devem sustentar os preços da celulose no início do quarto trimestre. Um indicativo dessa pressão são os preços dos cavacos importados do Vietnã, que avançaram US$ 20 por tonelada no acumulado do ano.

Em um ambiente de maior incerteza macroeconômica – marcado pelo ciclo eleitoral brasileiro e pelo aumento das tensões geopolíticas – a XP vê Suzano e Klabin como alternativas defensivas, com menor beta e receitas em dólar, funcionando como hedge para os portfólios.

Embora ambas sejam recomendadas, a XP diferencia as teses: a Suzano é considerada a melhor opção para capturar diretamente a melhora dos preços da celulose no curto prazo, enquanto a Klabin oferece perfil de risco menor devido à exposição relativamente mais baixa ao excesso de capacidade chinesa e ao portfólio mais diversificado de produtos.

Nos valuations, a XP calcula um FCF yield recorrente de 8,1 % para a Suzano em 2027 e de 6,9 % para a Klabin. Esses rendimentos podem melhorar à medida que os investimentos das empresas convergem para níveis de manutenção e as duas companhias avançam no processo de desalavancagem, podendo alcançar entre 11 % e 12 % até 2030.

Entretanto, a visão otimista no curto prazo não implica otimismo quanto ao ciclo estrutural da celulose. A XP mantém cautela, adotando a premissa de US$ 560 por tonelada para a celulose de fibra curta (BHKP) a partir de 2028. Entre os principais riscos estão a baixa rentabilidade dos produtores de papel, a entrada de cerca de 10 milhões de toneladas de capacidade integrada na China entre 2026 e 2028, novos projetos de celulose, o projeto Oki II da APP previsto para o primeiro trimestre de 2027, o projeto Sucuriú da Arauco esperado para o quarto trimestre de 2027 e uma eventual queda nos preços dos cavacos de madeira.

Não é a primeira vez que a Suzano ganha destaque nas recomendações de corretoras; como já apontamos em 12 de setembro, a Terra Investimentos também manteve a ação em sua carteira recomendada, reforçando o interesse do mercado na empresa.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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