Mercado Livre entra no mercado de medicamentos com receita: impacto nas ações da RD Saúde e Pague Menos segundo JP Morgan

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 25/09/2026 20:59
Mercado Livre entra no mercado de medicamentos com receita: impacto nas ações da RD Saúde e Pague Menos segundo JP Morgan

Foto: via Money Times

Na quinta‑feira, 24 de setembro, as ações da RD Saúde (RADL3) e da Pague Menos (PGMN3) registraram forte recuo após o anúncio do Mercado Livre (MELI34) de que, a partir de hoje, passará a comercializar medicamentos que exigem prescrição e retenção de receita, incluindo antibióticos e canetas GLP‑1.

O pregão de quinta mostrou queda de cerca de 5% nas cotas da RD Saúde e de aproximadamente 7% nas da Pague Menos. No dia seguinte, sexta‑feira, 25 de setembro, por volta das 11h30 (horário de Brasília), as ações da RD Saúde recuavam 0,98%, cotadas a R$ 18,27, enquanto a Pague Menos recuava 0,29%, negociada a R$ 3,44.

Os analistas do JP Morgan apontam que o movimento do Mercado Livre representa um fator negativo de curto prazo, mas não altera as projeções de lucro por ação (EPS) das empresas. “Compraríamos em momentos de fraqueza, reconhecendo que pode levar alguns trimestes para que os efeitos dessa movimentação sejam totalmente absorvidos”, afirmam, mantendo a classificação Overweight (equivalente à compra) para a RD Saúde e Underweight (equivalente à venda) para a Pague Menos.

O banco ressalta que o impacto é mais relevante para o sentimento e o posicionamento dos investidores do que para os resultados imediatos, sobretudo porque já atuam outros players, como o iFood, em modelo de marketplace 3P. “Vemos o anúncio como uma notícia importante e esperamos que os investidores continuem monitorando a expansão do Mercado Livre na categoria, mas prevemos implicações limitadas para os resultados das varejistas de medicamentos nesta fase”, concluem.

O Mercado Livre iniciará a venda de medicamentos que exigem retenção de receita com a obrigatoriedade de validação por um farmacêutico. O cliente deverá fazer upload da receita, que será analisada antes da finalização da compra. O serviço será concentrado inicialmente em São Paulo, por meio da própria farmácia física da empresa (modelo 1P), com entrega prevista em até uma hora nas áreas selecionadas.

Paralelamente, a companhia divulgou o “Farma Modelo 3P”, que prevê a entrada de farmácias de terceiros no marketplace a partir de outubro. Em fase piloto, o objetivo é contar com até 20 farmácias de redes externas distribuídas estrategicamente em São Paulo até o final do ano, permitindo entregas em 60 minutos. Três redes de farmácias já deverão operar nesse modelo já em outubro.

Vale lembrar que, há exatamente um ano, o Mercado Livre adquiriu a farmácia “Target”, pertencente à startup Memed, especializada em prescrições e exames digitais, reforçando sua estratégia de atuação no segmento de saúde.

O anúncio também inclui a comercialização de canetas GLP‑1, como Ozempic e Wegovy, conhecidas como “canetas emagrecedoras”. O JP Morgan destaca que, embora a categoria seja promissora, os preços são amplamente definidos pelos fabricantes por meio de programas de benefícios ao paciente, como o NovoDia da Novo Nordisk, que oferece condições diferenciadas para produtos à base de semaglutida.

Os analistas apontam que descontos concedidos por cupons, cartões ou identificação do paciente estão sujeitos à regulação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o que restringe estratégias agressivas de cupons na plataforma. Além disso, considerando as margens historicamente baixas do varejo farmacêutico e o tíquete médio reduzido, o JP Morgan entende que o potencial de rentabilidade do marketplace é limitado, pois as taxas cobradas (take rates) podem não cobrir os custos operacionais, sobretudo quando a logística precisa ser segregada por exigências sanitárias.

Não é a primeira vez que analisamos a volatilidade do setor farmacêutico; em coberturas anteriores, abordamos a aprovação de pagamento de R$ 250 milhões em juros sobre capital próprio pela Bradesaúde e a recomendação de compra da Dasa pelo UBS BB, evidenciando o dinamismo e os desafios enfrentados pelas empresas de saúde no Brasil.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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