Telescópios de nova geração, El Niño intenso e Ig Nobel 2026 marcam a semana da ciência

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 05/09/2026 10:00
Telescópios de nova geração, El Niño intenso e Ig Nobel 2026 marcam a semana da ciência

Foto: via Olhar Digital

O telescópio espacial Nancy Grace Roman, operado pela NASA, segue em direção ao ponto L2, localizado a aproximadamente 1,6 milhão de quilômetros da Terra. A missão tem como foco a investigação da energia escura, exoplanetas e outros fenômenos ainda pouco compreendidos. A câmera embarcada conta com 300 megapixels e oferece um campo de visão cerca de 100 vezes maior que o do Hubble, permitindo registrar bilhões de galáxias. A posição da nave pode ser acompanhada em tempo real através da ferramenta online “Where’s Roman?”.

Depois do sucesso do telescópio James Webb, lançado em dezembro de 2021, que ampliou a visão do Universo ao captar galáxias dos primeiros bilhões de anos e analisar atmosferas de planetas distantes, uma nova leva de observatórios está sendo preparada para ampliar ainda mais a exploração cósmica. Assim como o Webb não substituiu o Hubble, esses novos instrumentos não vêm para substituir os já operacionais, mas para complementar as capacidades existentes.

Entre os projetos que chegam ao cenário científico estão: o observatório terrestre Vera C. Rubin, localizado no Chile, equipado com uma câmera de 3,2 gigapixels que transformará o céu noturno em um filme contínuo de dez anos; o Telescópio Extremamente Grande (ELT), que terá o maior espelho já construído pela humanidade, medindo 39 metros de diâmetro, destinado a analisar atmosferas de mundos exoplanetários; o Observatório de Mundos Habitáveis (HWO), principal aposta da NASA para suceder o Hubble e capturar a primeira fotografia direta de uma “Terra 2.0” potencialmente habitável; e a Antena Espacial de Interferômetro Laser (LISA), missão pioneira que utilizará três naves conectadas por feixes laser para detectar ondas gravitacionais provenientes da colisão de buracos negros supermassivos.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) alerta que o fenômeno El Niño já está estabelecido e deve ganhar intensidade nos próximos meses, podendo alcançar um nível “muito forte”. A previsão indica quase 100 % de chance de manutenção do evento até fevereiro de 2027, com potencial de alterar padrões de chuva e temperatura, aumentando risco de enchentes, secas e calor extremo. Como já destacamos em 02/09, o El Niño pode gerar chuvas intensas no Sul e seca prolongada no Norte e Nordeste.

Um estudo da Universidade de Oulu, na Finlândia, propõe que o Sol pode estar prestes a “perder a memória” de seus ciclos anteriores, dificultando previsões climáticas espaciais. A pesquisa analisou cerca de 180 anos de registros geomagnéticos, utilizando o índice aa — um indicador de perturbações no campo magnético terrestre registrado desde 1844. Os resultados sugerem que, após o término de um ciclo solar de número ímpar, as características desse período deixam de ser úteis para prever a força do ciclo seguinte.

O asteroide (6543) Senna, batizado em homenagem ao piloto brasileiro Ayrton Senna e detectado pela primeira vez em 1985, revelou recentemente que não está sozinho no espaço. Astrônomos confirmaram que ele faz parte de um sistema binário, com um corpo menor orbitando ao seu redor como uma “minilua”. A descoberta oficial foi publicada em 25 de agosto de 2026, no boletim CBET nº 5727 do Bureau Central de Telegramas Astronômicos, órgão vinculado à União Astronômica Internacional (IAU).

O calendário astronômico de setembro promete um espetáculo para os entusiastas: a Lua ocultará dois planetas em diferentes noites, um gigante de gelo entrará em movimento retrógrado e outro atingirá sua melhor posição do ano para observação a partir da Terra.

A edição de 2026 do Prêmio Ig Nobel celebrou pesquisas peculiares em uma cerimônia marcada por aviões de papel e cédulas cenográficas de 10 trilhões de dólares do Zimbábue. Entregues pelos laureados do Nobel tradicional, as premiações satíricas reconhecem estudos que primeiro provocam risos e depois despertam curiosidade científica.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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