Proibir casas de apostas como cigarro e álcool seria um bom início, afirma Fernando Haddad
A proposta de restringir as casas de apostas no Brasil de forma semelhante ao controle de cigarros e bebidas alcoólicas ganhou destaque após o ex‑ministro da Fazenda e atual candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarar que a atividade “não está fazendo bem para ninguém”.
Segundo dados apresentados, em 2025 as apostas drenaram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares, enquanto o comércio perdeu R$ 143,8 bilhões em dois anos, parte desse montante sai do país. Analistas estimam que o impacto pode variar entre 0,5 % e 1 % do Produto Interno Bruto.
Clubes de futebol chegaram a ameaçar o fim do esporte no Brasil caso as apostas fossem proibidas, embora o país tenha conquistado cinco Copas do Mundo sem patrocínio de casas de apostas. No ano da chamada “Copa das Apostas”, a seleção foi eliminada nas oitavas de final, fato que também foi mencionado nas discussões.
O presidente Luiz Inácio Lula, em discurso na ONU, alertou que “com os celulares, cada sala de jantar virou um cassino”, reforçando a preocupação com a expansão da jogatina.
O então presidente Jair Bolsonaro prometeu ao “rei dos cassinos de Las Vegas” abrir casas de jogo, gerando críticas sobre a direção da política de apostas.
Negociações sobre a regulamentação das casas de apostas foram realizadas “no escuro” em Brasília, resultando em um cenário descrito como o “pior possível”. O governo, segundo a reportagem, está “tonto” e sob pressão de diversos setores.
Um ex‑funcionário do Banco Master foi citado por supostamente lavar dinheiro no “jogo do tigrinho”, evidenciando a ligação entre o crime organizado e o setor de apostas.
Haddad argumentou que as casas de apostas não geram emprego, provocam evasão de divisas e transferem uma “montanha de dinheiro” para fora do país, justificando sua posição de proibição total.
Embora seja impossível eliminar as apostas digitais com uma única medida, como fez o presidente Dutra em 1946, Haddad sugeriu que adotar restrições semelhantes às impostas a cigarros e bebidas alcoólicas seria um “bom começo”.
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Com informacoes de O GLOBO.

