Diversidade triunfa nas urnas, mas discurso identitário perde força

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/11/2026 09:00
Diversidade triunfa nas urnas, mas discurso identitário perde força

Foto: via O GLOBO

Eleitores dos Estados Unidos optaram por candidatos que consideram capazes de atender seus interesses econômicos, independentemente de semelhanças étnicas ou de gênero.

Imprensa de esquerda descreveu a vitória dos democratas como uma “vitória da diversidade”, atribuindo o resultado à mobilização de comunidades negras, latinas e indígenas contra o ultraconservadorismo branco representado por Donald Trump.

Embora a presença de representantes de grupos minoritários nas cadeias eleitorais seja um fato celebrável, não se pode concluir que o discurso identitário tenha sido determinante para o resultado.

Gina Hinojosa, a primeira latina eleita governadora do Texas, centrou sua campanha em promessas econômicas, incluindo a distribuição de cheques de US$ 1.500 para famílias texanas.

Abdul El‑Sayed, o primeiro muçulmano eleito senador, resumiu sua plataforma com a frase: “Tirar dinheiro da política, pôr dinheiro no bolso do cidadão e aprovar o Medicare for All”.

Deb Haaland, a primeira governadora indígena, eleita no Novo México, destacou prioridades como educação, custo de vida, segurança e saúde.

Chris Pappas, o primeiro homem abertamente gay eleito senador, afirmou que não concorria “para fazer História” e focou sua agenda na recuperação do poder de compra dos cidadãos.

Em nenhum desses casos as origens, a fé ou a orientação sexual dos candidatos foram o tema central das campanhas.

Os eleitores, por sua vez, não usaram a representatividade como bússola de escolha; comunidades que celebraram o levante contra o ultraconservadorismo branco contribuíram para a ascensão de Trump dois anos antes.

Em 2024, Donald Trump praticamente dobrou sua participação no eleitorado negro, passando de 8 % para 15 %, e conquistou 48 % dos votos hispânicos, quase igualando a votação da democrata Kamala Harris, que obteve 51 %.

Essa mudança de preferência aponta para outra explicação além do voto identitário: o custo de vida. A guerra contra o Irã elevou os preços dos combustíveis e gerou efeitos inflacionários na economia.

A insatisfação com os preços, que ajudou a eleger Trump em 2024, foi crucial em 2026 para derrotar seu partido nas eleições de meio de mandato.

Se o resultado das midterms não representa a vitória da política de identidades, isso deve alegrar os progressistas, pois candidatos de grupos minoritários conquistaram eleitores sem se limitar a falar apenas por seus grupos, e os votantes escolheram quem acreditam poder atender seus interesses.

Os candidatos ampliaram suas pautas, e os eleitores ampliaram suas opções. A perda de centralidade do discurso identitário na esquerda americana não indica o fim do identitarismo, mas sugere que ele pode começar a perder força na política, na cultura, nas universidades e nas relações de trabalho, reduzindo a tendência de medir o valor moral das pessoas apenas por gênero, raça, religião ou orientação sexual.

Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, iniciativa do portal para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores, com toda a produção de conteúdo supervisionada por jornalistas.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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