Ex‑presidente do BRB coloca Ibaneis Rocha no centro da investigação Master
Em depoimento formal à Polícia Federal, tornado público pelo Supremo Tribunal Federal, o ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que o governador Ibaneis Rocha teria ordenado diretamente a venda da participação do BRB ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A declaração foi analisada ao vivo pelo analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, no Live CNN, e coloca Ibaneis Rocha no centro do chamado “Inquérito Mãe”, que investiga a negociação bilionária de cartas de crédito apontadas como “cartas podres”.
Segundo Costa, no dia 24 de setembro de 2024, recebeu em seu celular uma mensagem do gabinete de Ibaneis Rocha convocando‑o para uma reunião à noite na casa de Daniel Vorcaro. Na ocasião, Costa estava viajando na Bahia e precisou retornar às pressas, relatando: “Tento fugir, mas não dava para fugir do jantar”.
No jantar, Ibaneis Rocha teria feito um pedido explícito, primeiro diante de todos os presentes e depois de forma reservada: “Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master”. Costa declarou surpresa com o pedido, afirmando que tal informação não constava na investigação da Polícia Federal até aquele momento: “Fiquei surpreso por causa da venda do BRB, porque a gente tinha sempre defendido não fazer de jeito nenhum”.
A investigação da Polícia Federal também aponta mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro nas quais seriam discutidas contrapartidas financeiras em imóveis de luxo – três em Brasília e três em São Paulo – totalizando cerca de R$ 150 milhões destinados ao próprio Costa.
Paulo Henrique Costa está preso desde março de 2024 na Penitenciária Papudinha, ocupando cela ao lado de Daniel Vorcaro.
Ao ser procurado pela reportagem, Ibaneis Rocha informou que se encontra fora de Brasília e que seu advogado, Antônio Carlos Almeida, está cuidando do assunto. Até o momento da publicação, não havia manifestação da defesa sobre as acusações feitas por Costa.
Em depoimento, Daniel Vorcaro adotou postura incisiva, confrontando a delegada responsável pelo inquérito e negando categoricamente qualquer fraude: “Não houve fraude, não houve fraude”. O empresário alegou que as eventuais instabilidades no BRB foram causadas pela liquidação do Banco Master pelo Banco Central, e não por suas ações. Vorcaro afirmou ainda que agiu de boa‑fé ao substituir ativos da carteira da Tirreno, empresa responsável pelas cartas de crédito que intermediou a negociação com o BRB, e que o banco público teria registrado lucro com a operação. “Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não foi causada por mim, foi causada pela situação que ocorreu de liquidação do Banco Master, que era parceiro”, declarou. Ao final, pediu a revogação de sua prisão preventiva.
A Polícia Federal sustenta entendimento contrário, apontando prejuízos ao banco público e instabilidade financeira que persiste até hoje no BRB.
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Com informacoes de CNN Brasil.

