Super‑heróis, fascismo e a aposta do Brasil no Oscar 2027: tendências culturais em foco
A discussão sobre a presença do Brasil no Oscar de 2027 voltou a ganhar destaque, mesmo sem nenhum filme nacional ainda sinalizado para a competição, indicando que o país ainda almeja marcar seu espaço na premiação.
Nos últimos dias, a frase do escritor Alan Moore, que responsabiliza a cultura dos super‑heróis pelo reforço do fascismo, voltou a ser amplamente debatida, gerando novas interpretações sobre o papel desses mitos na sociedade contemporânea.
O argumento central de Moore aponta que o herói purista, transformado em referência cultural de alto conceito, tem sido usado por figuras políticas controversas como símbolo de um salvador que transcende a lei e impõe ordem mediante a força.
Entretanto, a análise diverge ao afirmar que os filmes e séries de super‑heróis não são a causa direta desse fenômeno; ao contrário, eles seriam consequência de um processo de infantilização da cultura de massa que se intensificou a partir do final do século passado, quando o público buscou escapismo de contextos sociais mais duros.
Esse cenário explica a escassez de thrillers que realmente desafiam o espectador nas últimas décadas, enquanto a Geração Z demonstra, recentemente, uma inclinação a retomar temas mais controversos, especialmente no gênero de terror.
O entendimento tradicional de bem e mal como conceitos fixos tem sido questionado, e a perspectiva de que adultos que mantêm essa visão podem ser vistos como ingênuos reforça a necessidade de narrativas que provoquem reflexão em vez de oferecer respostas simples.
Dentro desse panorama, o filme "Viver e Morrer em Los Angeles" (1985), dirigido por William Friedkin, reaparece como exemplo de suspense que explora o vigilanteismo. A trama acompanha um detetive obcecado em capturar um falsificador de dinheiro, adotando métodos tão extremos que a distinção entre polícia e ladrão se desfaz. O vilão psicótico, interpretado por Willem Dafoe, emerge como o personagem mais íntegro, embora o filme não pretenda transformar o antagonista em herói, mas sim levantar questões morais.
Friedkin apresenta todos os personagens como predadores, sugerindo que, em um ambiente imoral como o retratado, predadores também se tornam presas, reforçando a ideia de que o cinema deve provocar perguntas ao público ao invés de impor lições de moral.
Em paralelo, o documentário de três horas "You Can See Everything", de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, que investiga a história da fraude de Elizabeth Holmes, está se consolidando como um dos maiores fenômenos nos Estados Unidos. O longa arrecadou quase US$ 14 milhões em sua estreia, exibido em 900 salas, com aproximadamente 75 % do público pertencente à Geração Z. A produção ostenta 99 % de aprovação no Rotten Tomatoes e nota média de 99/100 no Metacritic, posicionando‑se como candidato a se tornar o primeiro documentário indicado à categoria de Melhor Filme na história do Oscar, além de ser apontado como favorito para a vitória.
Diante desse sucesso, a chamada é para que distribuidoras brasileiras de cinema se mobilizem e programem a chegada de "You Can See Everything" aos cinemas do país, ampliando o acesso do público nacional a essa obra que tem potencial histórico nas premiações internacionais.
Com informacoes de O Vício.

