Vale tudo? Ética em xeque na campanha presidencial brasileira
Em uma eleição presidencial que pode traçar o futuro do país nas próximas décadas, ainda não se observam programas que atendam às necessidades urgentes da população, enquanto o cenário se fragmenta em manifestações de multidões que marcam territórios, mas não defendem projetos concretos de desenvolvimento.
O clima de "vale tudo" para vencer se reflete na alta e semelhante taxa de rejeição dos dois candidatos em disputa. A vitória alcançada por meios ilegais ou pela transgressão da legalidade perde o caráter honroso, mas a ideia de que "os fins justificam os meios" parece ainda vigente, ecoando pensamentos do poeta romano Ovídio, de Maquiavel em O Príncipe e da divisão ética proposta por Max Weber entre a ética da Convicção e a da Responsabilidade.
O escritor e advogado José Roberto Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras, lança o livro “A pergunta difícil: por que precisamos falar de ética”, publicado pela Editora Nova Fronteira. A obra analisa temas éticos desde os primórdios da civilização até os dias atuais, percorrendo grandes autores e momentos históricos.
O debate será aprofundado no segundo seminário “Ética imortal”, organizado pelo Instituto Não Aceito Corrupção, sob a direção do promotor de Justiça de São Paulo Roberto Livianu, em parceria com a Academia Brasileira de Letras.
O ambiente de "vale tudo" também atinge o Supremo Tribunal Federal, onde os ministros recusam a proposta do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de elaborar um código de ética interno. Essa resistência, associada ao partidarismo, é apontada como sintoma de uma sociedade doente.
O quiz que acompanha a matéria foi produzido pelo projeto Irineu, iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores, com toda a produção de conteúdo supervisionada por jornalistas.
Com informacoes de O GLOBO.

