Senador Rogério Marinho afirma não ter provas de fraude eleitoral e classifica carta de Flávio Bolsonaro como desabafo
Rogério Marinho, senador do Partido Liberal (PL) representando o Rio Grande do Norte e líder da oposição no Senado, declarou nesta quarta‑feira, 28 de outubro, que não pode confirmar a existência de fraude na eleição presidencial realizada no domingo, 25 de outubro.
Ao ser questionado sobre a acusação de fraude apresentada por Flávio Bolsonaro, coordenador da campanha do senador do PL‑RJ, Marinho respondeu: "Eu não posso fazer essa afirmação, eu não tenho provas" e acrescentou: "Agora, é evidente que se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas".
Marinho caracterizou a carta enviada por Flávio Bolsonaro, que contestou o resultado do segundo turno e reivindicou vitória, como "desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado, que foi retirado do seu país pelas circunstâncias, pelas contingências que todos vocês já sabem, e certamente está extremamente abalado no processo".
Segundo o senador, a carta não configura tentativa de ruptura institucional, mas sim um desabafo pessoal.
Apesar de negar a tese de ilegitimidade do processo eleitoral, Marinho reiterou as acusações do PL contra o governo Lula durante a campanha, afirmando que "houve abuso de poder econômico" e que o partido tem "20 AIJEs impetradas contra a chapa de Lula e de Alckmin, que espero que alguma delas leve à cassação dessa chapa".
As ações apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegam uso de recursos públicos e de canais oficiais para propaganda eleitoral, bem como aumento de despesas para programas sociais durante o período de campanha.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça‑feira, 27 de outubro, dois dias após a derrota nas eleições presidenciais, acompanhando esposa e duas filhas. O senador descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia exigido a entrega de seus passaportes à Polícia Federal e proibido sua saída do país em razão de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Flávio atravessou a fronteira com a Argentina, embarcou em avião particular que fez escala no Equador e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta‑feira, 28 de outubro.
Ao chegar, divulgou uma carta na qual acusou o Judiciário de promover fraude eleitoral e responsabilizou a prorrogação do horário de votação no segundo turno pelo resultado que levou à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na primeira versão do documento, Flávio se apresentou como "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento, anunciando a intenção de comandar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.
Posteriormente, Flávio alterou a abertura da carta, substituindo a expressão "verdadeiro presidente eleito do Brasil" por "líder do Brasil".
Outras reações incluíram a classificação da carta como "conspiração contra o Brasil" por Randolfe Rodrigues, a disseminação de memes sobre a autodenominação de Flávio como presidente, e a afirmação de que o ex‑presidente Donald Trump "não vai se envolver" na questão.
Este episódio ocorre após a divulgação, em cobertura anterior do portal, de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou ter aconselhado Flávio Bolsonaro a permanecer no país após a derrota eleitoral, evidenciando a continuidade das tensões políticas envolvendo o senador.
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Com informacoes de Congresso em Foco.

