Senador Rogério Marinho afirma não ter provas de fraude eleitoral e classifica carta de Flávio Bolsonaro como desabafo

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 29/10/2026 05:25
Senador Rogério Marinho afirma não ter provas de fraude eleitoral e classifica carta de Flávio Bolsonaro como desabafo

Foto: via Congresso em Foco

Rogério Marinho, senador do Partido Liberal (PL) representando o Rio Grande do Norte e líder da oposição no Senado, declarou nesta quarta‑feira, 28 de outubro, que não pode confirmar a existência de fraude na eleição presidencial realizada no domingo, 25 de outubro.

Ao ser questionado sobre a acusação de fraude apresentada por Flávio Bolsonaro, coordenador da campanha do senador do PL‑RJ, Marinho respondeu: "Eu não posso fazer essa afirmação, eu não tenho provas" e acrescentou: "Agora, é evidente que se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas".

Marinho caracterizou a carta enviada por Flávio Bolsonaro, que contestou o resultado do segundo turno e reivindicou vitória, como "desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado, que foi retirado do seu país pelas circunstâncias, pelas contingências que todos vocês já sabem, e certamente está extremamente abalado no processo".

Segundo o senador, a carta não configura tentativa de ruptura institucional, mas sim um desabafo pessoal.

Apesar de negar a tese de ilegitimidade do processo eleitoral, Marinho reiterou as acusações do PL contra o governo Lula durante a campanha, afirmando que "houve abuso de poder econômico" e que o partido tem "20 AIJEs impetradas contra a chapa de Lula e de Alckmin, que espero que alguma delas leve à cassação dessa chapa".

As ações apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegam uso de recursos públicos e de canais oficiais para propaganda eleitoral, bem como aumento de despesas para programas sociais durante o período de campanha.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça‑feira, 27 de outubro, dois dias após a derrota nas eleições presidenciais, acompanhando esposa e duas filhas. O senador descumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia exigido a entrega de seus passaportes à Polícia Federal e proibido sua saída do país em razão de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.

Flávio atravessou a fronteira com a Argentina, embarcou em avião particular que fez escala no Equador e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta‑feira, 28 de outubro.

Ao chegar, divulgou uma carta na qual acusou o Judiciário de promover fraude eleitoral e responsabilizou a prorrogação do horário de votação no segundo turno pelo resultado que levou à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na primeira versão do documento, Flávio se apresentou como "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento, anunciando a intenção de comandar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.

Posteriormente, Flávio alterou a abertura da carta, substituindo a expressão "verdadeiro presidente eleito do Brasil" por "líder do Brasil".

Outras reações incluíram a classificação da carta como "conspiração contra o Brasil" por Randolfe Rodrigues, a disseminação de memes sobre a autodenominação de Flávio como presidente, e a afirmação de que o ex‑presidente Donald Trump "não vai se envolver" na questão.

Este episódio ocorre após a divulgação, em cobertura anterior do portal, de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou ter aconselhado Flávio Bolsonaro a permanecer no país após a derrota eleitoral, evidenciando a continuidade das tensões políticas envolvendo o senador.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.