Governador de São Paulo afirma ter aconselhado Flávio Bolsonaro a permanecer no Brasil após derrota eleitoral

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 29/10/2026 05:59
Governador de São Paulo afirma ter aconselhado Flávio Bolsonaro a permanecer no Brasil após derrota eleitoral

Foto: via Poder360

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou em entrevista concedida a Bianca Gomes, Marcelo Godoy, Ricardo Corrêa e Pedro Augusto Figueiredo, do jornal O Estado de São Paulo, que recomendou ao senador Flávio Bolsonaro (PL) que permanecesse no território nacional após a derrota nas urnas.

Ele ressaltou que não pretende avaliar a escolha do senador, explicando que a situação é delicada e que o senador acabou de conquistar cerca de 60 milhões de votos antes de ser abordado pela Polícia Federal, questionando a base da medida ao afirmar: “Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base? Essa é a pergunta. Eu nunca vou ter a capacidade de julgar porque a gente tem que sempre se colocar no lugar dos outros”.

Segundo o governador, o aconselhamento foi feito por ele, pelos advogados do senador, por Rogério Marinho e por outras pessoas presentes na reunião, sendo que o conselho foi para que o senador permanecesse no Brasil, como ele mesmo disse: “O conselho que nós demos a ele – os advogados, eu, o [Rogério] Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas – foi que ficasse [no Brasil]”.

Tarcísio também comentou que não tem conhecimento de nenhum plano de fuga e que o senador, sua esposa e as duas filhas adolescentes deixaram o país alegando receio de possíveis decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Ele informou que a Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte de Flávio sete minutos depois da divulgação oficial do resultado da eleição presidencial, às 21h09 do dia 25 de outubro de 2026, quando o Tribunal Superior Eleitoral declarou Luiz Inácio Lula da Silva vencedor com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.

O magistrado Alexandre de Moraes acatou o pedido da PF, impedindo a saída do país. Tarcísio questionou a motivação da medida, alegando ausência de provas concretas naquele momento e caracterizando a ação como intimidação, ao dizer: “Veja, foram lá pedir o passaporte dele. Ora, o que tem de concreto hoje contra ele? Pode ser que amanhã apareça um monte de coisa, mas a gente não sabe. Hoje não tem nada. E se não tem nada, por que pediram o passaporte? Qual o objetivo disso? Houve ali uma intimidação”.

O governador ainda apontou que, de acordo com ele, houve abuso de poder político e econômico na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ressaltou que a Justiça Eleitoral dispõe de mecanismos de recurso previstos em lei, recomendando que o senador utilize esses instrumentos ao invés de anunciar a saída do país, ao afirmar: “Você tem uma forma de recorrer à Justiça contra isso, que são as ações de investigação da Justiça Eleitoral. Isso está previsto na legislação, isso acontece rotineiramente. Então, esses foram os conselhos: usa esse remédio jurídico e não fala que vai sair”.

Por fim, Tarcísio enfatizou a necessidade de focar no futuro, sem julgar a decisão tomada pelo senador, ao concluir: “É preciso olhar para a frente”.

Não é a primeira vez que o caso ganha destaque, como já mostramos nas matérias sobre alertas de fuga para a Argentina e a afirmação de Trump sobre a possível ida de Flávio aos EUA.

Com informacoes de Poder360.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.