PL rejeita acordo com Alcolumbre, aposta em dissidências de partidos centristas e prepara lançamento de Marinho para a presidência do Senado

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/10/2026 22:00
PL rejeita acordo com Alcolumbre, aposta em dissidências de partidos centristas e prepara lançamento de Marinho para a presidência do Senado

Foto: via O GLOBO

Com a bancada do Partido Liberal prevista para contar com 28 senadores a partir de fevereiro do próximo ano – o que corresponde a mais de um terço das 81 cadeiras do Senado – o partido decidiu recusar a proposta apresentada por Rodrigo Alcolumbre e focar nas divergências de partidos de centro, além de preparar a apresentação de Eduardo Marinho como candidato à presidência da Casa na semana que vem.

Os integrantes do PL se reunirão na próxima semana para decidir sobre a candidatura de Marinho, que já conta com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da última eleição presidencial, e de seu irmão, o senador Carlos Bolsonaro (PL‑SC). A ex‑ministra da Fazenda do governo Bolsonaro, Tereza Cristina (PP‑MS), também busca viabilizar sua candidatura.

Mesmo com a disputa interna, o discurso da oposição indica que os diferentes grupos devem convergir para um único nome que enfrente Alcolumbre. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), ressaltou que a oposição deve aproveitar o tamanho da bancada eleita para ampliar sua influência e buscar mudanças na relação entre o Congresso e o Judiciário, afirmando que é hora de união, que uma aliança bem estruturada tornará o bloco forte, que há chance de recuperar ao menos um equilíbrio mínimo entre os Poderes e que a maioria é essencial.

Para tentar conter a articulação da oposição, Alcolumbre buscou construir um acordo que fosse percebido como um aceno a Jair Bolsonaro. A ideia consistia em abrir uma negociação entre Congresso, governo e Judiciário para viabilizar uma medida que amenizasse a situação do ex‑presidente, condenado por liderar uma trama golpista. Embora não tenha sido apresentada uma proposta definitiva, foram debatidas alternativas como um indulto presidencial que liberasse Bolsonaro, a aprovação de uma anistia ampla pelo Congresso ou a retomada da proposta de redução de penas, atualmente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal sem previsão de análise.

Alcolumbre manteve conversas com senadores sobre a articulação, mas não levou a proposta ao presidente Lula. A tentativa encontrou resistência entre parlamentares da oposição, que questionam tanto a viabilidade das medidas quanto a capacidade de Alcolumbre de garantir o cumprimento de um eventual entendimento.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos‑RS), ex‑vice‑presidente de Bolsonaro, declarou que Alcolumbre não tem condições de oferecer uma solução para a situação judicial do ex‑presidente, afirmando que não aceita a proposta e a considera inviável.

A desconfiança também tem origem na eleição para o comando do Senado em 2025, quando o PL apoiou Alcolumbre na expectativa de avançar na pauta da anistia, mas viu frustrada a tentativa de aprovar uma medida ampla que beneficiasse Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas.

Entre os parlamentares eleitos, a rejeição à proposta é ainda mais enfática. O deputado Carlos Jordy (PL‑RJ), que assumirá uma cadeira no Senado em fevereiro, advertiu que apoiar novamente Alcolumbre significaria repetir um acordo sem garantias de cumprimento, chegando a dizer que seria necessário ser muito ingênuo para cair nessa conversa vazia e que um senador que vote nele não demonstra compromisso com a independência e a harmonia entre os Poderes.

Uma das principais bandeiras da oposição no Senado é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, considerado adversário político pelo bolsonarismo após relatar processos que atingiram Bolsonaro e seus aliados. O desgaste político do magistrado aumentou após a revelação de conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Apesar da pressão, a avaliação entre integrantes da oposição é de que Alcolumbre não trabalhará pelo afastamento de Moraes, de quem é aliado. A tentativa de aproximação com o bolsonarismo também é interpretada como uma estratégia para reduzir a pressão sobre o ministro e impedir que a eleição para a presidência do Senado se transforme em um confronto direto entre os blocos.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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