Investidores reavaliam carteiras: juros altos, eleições 2026 e Petrobras lideram recomendações
Juros elevados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, fundos imobiliários negociados com desconto, estratégias para grandes patrimônios e oportunidades ligadas à inteligência artificial foram alguns dos temas que mais atraíram os leitores do E‑Investidor na última semana.
Eleições de 2026 mudaram o mapa das carteiras para outubro, colocando a Petrobras (PETR3; PETR4) como ponto de convergência nas recomendações de Itaú BBA, Genial, Monte Bravo, Planner e Ágora, que buscaram equilibrar oportunidades decorrentes da queda dos juros com proteção contra riscos fiscais, eleitorais, cambiais e de commodities.
O Itaú BBA trocou três das cinco ações de sua carteira, incluindo XP Inc., Sabesp (SBSP3) e Petrobras. A Genial montou uma carteira mais equilibrada entre empresas com forte presença no mercado doméstico e companhias que recebem receitas no exterior. A Monte Bravo reduziu a proteção no exterior, aumentou a exposição a empresas brasileiras sensíveis aos juros, como Localiza (RENT3), Cyrela (CYRE3) e BTG Pactual (BPAC11), e também adicionou Petrobras. A Planner realizou apenas duas trocas, adicionando Petrobras e Sabesp, enquanto a Ágora manteve sua Top 10 inalterada.
Próximas eleições de 2026 dividiram as estratégias de instituições financeiras. Ágora e Bradesco BBI separaram ações entre papéis historicamente favorecidos pela continuidade do governo, ativos mais sensíveis a uma mudança de gestão e empresas consideradas resilientes. Citi e Nomos apontaram que a reeleição de Lula poderia favorecer companhias defensivas, exportadoras e expostas a programas públicos, enquanto uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia beneficiar ações cíclicas, estatais e empresas mais sensíveis à queda dos juros. A Kinea adotou uma estratégia menos dependente do resultado eleitoral, combinando empresas de crescimento previsível e setores defensivos com bancos, indústria e varejo, que poderiam se beneficiar de uma eventual melhora fiscal e redução dos juros.
Grandes bancos reforçaram a gestão de patrimônio para clientes de alta renda (private banking) e incorporaram serviços típicos de escritórios independentes de gestão de patrimônio familiar (multi‑family offices – MFOs) para disputar esse segmento. Santander e Bradesco criaram MFOs próprios, enquanto outras instituições ampliaram o atendimento com planejamento tributário e sucessório, investimentos internacionais e gestão discricionária. Embora muitos bancos ainda exijam patrimônio de R$ 10 milhões, BB e C6 Bank já atendem clientes a partir de R$ 5 milhões. A disputa tende a ampliar serviços e pressionar custos, com bancos adotando cobrança de taxa sobre o patrimônio (fee) que caiu para cerca de 0,75 % em média, chegando a 0,30 %‑0,40 % em algumas casas.
Simulações de rendimento chamaram a atenção dos leitores pela segunda semana consecutiva. Com a Selic em 13,75 % ao ano e tributação de 15 % de IR, um patrimônio de R$ 1 milhão renderia aproximadamente R$ 9,7 mil líquidos por mês; R$ 5 milhões, R$ 48,7 mil; R$ 10 milhões, quase R$ 100 mil; e R$ 20 milhões, cerca de R$ 194,8 mil. Considerando um retorno real de 3 %‑4 % ao ano, os valores sustentáveis de retirada mensal seriam: R$ 5 milhões, de R$ 12,5 mil a R$ 16,7 mil; R$ 10 milhões, de R$ 25 mil a R$ 33,3 mil; e R$ 20 milhões, de R$ 50 mil a R$ 66,7 mil, indicando a necessidade de reinvestir parte dos ganhos para preservar o poder de compra.
A gestora Franklin Templeton, com R$ 49 bilhões sob administração, reduziu o risco em crédito privado ao vender cerca de R$ 200 milhões em ativos de infraestrutura e zerar essa exposição onde possível, além de eliminar investimentos diretos em crédito rural e não possuir Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nas carteiras. A cautela com o agronegócio decorre de riscos climáticos, de produtividade, de commodities e de insegurança jurídica. A exposição a crédito corporativo também diminuiu de forma relevante, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ganharam espaço, passando de aproximadamente 8 % para perto de 13 % das carteiras de crédito privado.
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Com informacoes de Estadão.

