Ministros do STF e a queda de Lula: cenário de impeachment e alianças políticas

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 05/10/2026 09:40
Ministros do STF e a queda de Lula: cenário de impeachment e alianças políticas

Foto: via Estadão

O conjunto formado por setores do Supremo Tribunal Federal e pela administração de Luiz Inácio Lula da Silva saiu como o maior perdedor no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, conforme análise de especialistas políticos.

Ações consideradas truculentas por ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino provocaram desconfiança entre eleitores moderados, que passaram a enxergá‑los como ameaça ao Estado de Direito. Mensagens circulando em grupos de WhatsApp de famílias, colegas de trabalho e amigos utilizavam o argumento: "Olha, se Lula for eleito, serão mais quatro Dinos no Planalto".

Com esse clima de insegurança, o eleitorado buscou alternativas no Senado, optando por candidatos que se comprometeram a dar o troco no Judiciário.

O declínio de popularidade de Lula coincidiu com a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, que acabou por arrastar o presidente para uma situação de vulnerabilidade política.

Em relação ao ministro Alexandre de Moraes, conhecido como Xandão, a crise se intensificou quando surgiram revelações sobre um contrato de R$ 130 milhões firmado com o banqueiro Vorcaro. A militância petista reagiu agressivamente contra os jornalistas que divulgaram esses fatos. Em setembro, o Supremo, ainda alinhado ao governo, adotou medidas para proteger o magistrado em meio às acusações.

Num governo marcado por baixa aprovação e falta de criatividade, a escolha de Flávio Bolsonaro foi recebida como boa notícia para o Palácio do Planalto, apesar das diversas denúncias que o cercam, como supostas "rachadinhas" de gabinete, enriquecimento ilícito e ligações posteriores com Daniel Vorcaro.

Analistas apontam que houve subestimação do antipetismo – a maior força política do país – e falha na leitura dos danos provocados pela crise no STF. A arrogância de parte da cúpula do Judiciário se manifestou em penas consideradas excessivas contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe, e contra os manifestantes que depredaram a sede dos Três Poderes. Em analogia ao caso da "Débora do Batom", alguns defendem que Moraes deveria ter sido condenado à prisão.

Atualmente, Alexandre de Moraes tem um processo de impeachment em tramitação e pode não ser o único magistrado a enfrentar tal procedimento.

No final das contas, o Partido Liberal, representante do discurso antissistema, foi quem mais se beneficiou dos equívocos políticos. Flávio Bolsonaro, sustentado pelo peso do sobrenome, consolida-se provisoriamente como figura central, funcionando quase como um "habeas corpus popular".

Lula enfrenta uma missão quase impossível: reverter a votação no segundo turno, algo que nunca ocorreu desde a redemocratização. A perspectiva de perder para um candidato considerado inexpressivo é vista como um vexame monumental.

Especialistas sugerem que o PT deveria se distanciar da ala governista do STF para tentar reverter o quadro. Resta saber se haverá coragem política para essa ruptura.

Se a vitória de Lula se concretizar, o presidente terá de lidar com um Congresso hostil, o que complicará ainda mais a governabilidade.

Outros assuntos relacionados incluem a coluna de Fabiano Lana sobre ajustes políticos, a nova composição do Senado como teste de força para Alcolumbre, e a Carta de Pomar, que define o tom da disputa interna no PT após o primeiro turno.

Milton Leite Filho, filho de um preso, conseguiu eleger‑se deputado federal por São Paulo, demonstrando a complexidade das dinâmicas eleitorais.

Ao menos 31 senadores eleitos declararam apoio ao impeachment de ministros do STF, entre eles Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Ciro Nogueira e mais 16 parlamentares que perderam a reeleição. Mapas de votação por município e por estado ilustram a distribuição dos votos na disputa presidencial.

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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