Cúpula do Judiciário denuncia “massacre” nas urnas e aponta crise política
A votação resultou na eleição de 33 senadores que defendem abertamente o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, aumentando a chamada bancada pró-impeachment para 49 membros, número considerado mais pessimista que a projeção interna do próprio STF feita em julho, baseada nas pesquisas da época.
Três meses antes, integrantes da Corte estimavam que a bancada do impeachment chegaria a 40 senadores – um patamar alto, porém ainda aquém dos 54 votos estabelecidos no ano passado por Gilmar Mendes como quórum necessário para afastar um ministro do STF. Embora a liminar de Gilmar tenha sido concedida em dezembro de 2025, até o momento ela não foi submetida ao referendo do plenário.
Em entrevista reservada ao blog, um interlocutor próximo ao ministro Alexandre de Moraes descreveu o resultado do Senado como “um massacre” e “uma revolta contra o sistema”.
O avanço conservador também resultou na derrota de candidatos progressistas como Leila do Vôlei (PSB‑DF), Benedita da Silva (PT‑RJ), Randolfe Rodrigues (PT‑AP) e Manuela d’Ávila (PSOL‑RS).
Um ministro de tribunal superior afirmou que “o eleitor puniu o presidente Lula pela crise ética do STF”, referindo‑se à intensificação de conflitos na Corte provocados pelas investigações do caso Master, que revelaram conexões pessoais e financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Dos três, apenas Toffoli foi indicado por Lula; porém, como o presidente da República conta com a boa vontade do STF para manter a governabilidade, tornou‑se aliado de Moraes e Gilmar, fazendo com que o escândalo também atingisse a administração petista.
Em São Paulo, um fator inédito na eleição explicou a vitória de Tarcísio sobre Haddad no primeiro turno, enquanto o grupo político liderado por Alcolumbre sofreu dura derrota no Amapá.
Um ministro com boa circulação no Palácio do Planalto resumiu a situação dizendo: “O STF foi derrotado, mas o PT foi humilhado”.
O ministro Fachin, defensor da adoção de um Código de Ética para o Judiciário, costumava afirmar que, se o Supremo não promovesse uma reforma por iniciativa própria, ela viria de fora; os resultados eleitorais apontam nessa direção.
Nas eleições de 2026, o banqueiro Daniel Vorcaro votou na chamada “Papuda”. Em outro caso, uma lobista amiga de “Lulinha” transferiu R$ 1,5 milhão para a conta de um motorista, conforme apurado.
O principal alvo dos pedidos de impeachment continua sendo Alexandre de Moraes, devido ao seu papel como relator das investigações que fecharam o cerco contra Jair Bolsonaro e aliados, além das ligações pessoais de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro.
Em entrevista à GloboNews nesta segunda‑feira (5), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou acalmar a situação, sinalizando que há espaço para acomodação nos bastidores. Ele declarou: “Eles [senadores] têm que conduzir isso com sabedoria e inteligência, porque não adianta pôr fogo no país”.
O debate sobre a ofensiva jurídica para garantir a presença de Renan no debate da Globo continua acirrado, enquanto a estratégia de Kassio Nunes Marques, na nova ofensiva de Bolsonaro, busca anular a condenação da trama golpista.
Um ministro ressaltou que a discussão sobre impeachment dependerá do Senado, destacando a independência dos senadores: “Cada senador pensa de um jeito, tem muita força e independência, e eles vão se entender para fazer o melhor para o país. Não interessa pôr fogo no país. O que precisamos agora é avançar”.
Com informacoes de O GLOBO.

