Empresariado e Faria Lima organizam reunião com juristas para enfrentar crise do Judiciário
Na quarta‑feira (9), lideranças da indústria e do mercado financeiro participarão de uma reunião ao final do dia com juristas, com o objetivo de elaborar propostas de aperfeiçoamento institucional para o Judiciário, conforme apurou o Valor com fontes próximas ao assunto.
No convite, ao qual a reportagem teve acesso, foram incluídos os juristas Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patricia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira, que deverão contribuir com pontos de vista diferentes sobre a crise da Corte.
A mensagem, enviada via WhatsApp a dezenas de representantes da indústria e da Faria Lima, convida os participantes para o debate: "À luz dos acontecimentos recentes, entendemos que a discussão sobre o funcionamento, equilíbrio e o aperfeiçoamento institucional do Judiciário ganhou grande relevância e urgência. Nosso propósito é reunir, em uma conversa reservada e construtiva, importantes lideranças (...) para uma reflexão séria sobre o fortalecimento das instituições brasileiras".
Um dos organizadores do fórum, que será realizado por Zoom no fim da tarde da mesma quarta‑feira (9), afirmou: "Está difícil conviver com esta situação do Judiciário. Vamos reunir ideias e buscar uma forma de elaborar um manifesto".
Entre os empresários confirmados estão Pedro Passos, acionista da Natura; Josué Gomes, da Coteminas; Jackson Schneider, conselheiro de grandes empresas como Abra e CBMM; Pedro Wongtschowski, além de outros executivos e empresários. A estimativa é que entre 50 e 60 pessoas participem do debate.
Nos últimos dias, empresários têm se manifestado publicamente a respeito da crise do STF. Sérgio Zimerman, acionista de referência da Petz, declarou em um seminário voltado para empreendedores que é a favor de a sociedade civil ir às ruas para demonstrar indignação em relação à crise da Corte. Zimerman afirmou ao Valor que não tem participado individualmente de manifestações, mas apoia um movimento amplo nesse sentido, acrescentando: "A crise [no STF] está completamente politizada. Sou contra a politização e essa questão não pode ser tratada como uma crise de direita ou de esquerda. A discussão do STF não pode ser vista como um ‘Fla‑Flu’ e os fatos e investigações têm de ser discutidos de forma mais ampla. A impressão é que o país está anestesiado e gente não chega a lugar nenhum. Parece que perdemos a capacidade de discutir os fatos. A Justiça não tem lado."
Na Faria Lima, principal corredor financeiro do país, a crise da Corte também está na pauta dos principais representantes. "Todos os empresários estão nessa toada, mas poucos vão ter coragem de se expor", disse um executivo graduado do setor financeiro, sob sigilo. "O país perdeu a institucionalidade, é bem duro, bem difícil. As pessoas não podem falar mais, é a cultura do medo", completou a fonte, que acrescentou ter "100% de receio de retaliação" e que empresários de todos os setores estão "estarrecidos".
Outra fonte do mercado financeiro, em reação ao embate entre Moraes e Mendonça na noite de quinta‑feira (4), apontou para uma crise institucional grave no país. Para ele, todas as revelações do caso Master são "estarrecedoras" e os freios e contrapesos não estão funcionando como deveriam.
Em outra frente de notícias, a startup francesa de inteligência artificial Mistral AI superou valuation de US$ 24 bilhões após rodada liderada pela Samsung, captando 3 bilhões de euros, o equivalente a US$ 3,48 bilhões, junto a um grupo de investidores já existentes.
Paralelamente, a farmacêutica Sandoz anunciou a intenção de mais que dobrar suas vendas até 2035, revelando um investimento de cerca de US$ 300 milhões em uma nova fábrica.
Com informacoes de Valor Econômico.

