Frente fria em setembro: por que o clima ainda está frio apesar da chegada do El Niño?
A diferença entre previsão do tempo e previsão climática explica a aparente contradição. Enquanto a primeira analisa as condições atmosféricas para os próximos dias, a segunda avalia tendências para períodos mais longos, permitindo que o El Niño aumente a probabilidade de certos padrões de temperatura e chuva sem impedir a passagem de sistemas que causem mudanças bruscas.
Super El Niño provoca três furacões ao mesmo tempo no Oceano Pacífico. El Niño: levantamento aponta quais estados têm plano de manejo do fogo. ONU prevê El Niño muito forte, alerta para extremos e projeta pico em 2026.
Na segunda‑feira, 7 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avisou a atuação de uma frente fria sobre o Centro‑Sul, com frio intenso na Região Sul e risco de geada. Instabilidades e chuvas também são esperadas nas áreas do Centro‑Oeste e Sudeste. A passagem de massas de ar frio pode, assim, reduzir as temperaturas por alguns dias mesmo em um período cuja tendência climática seja de calor, mas uma sequência de dias frios não garante que a média mensal fique abaixo do esperado.
O prognóstico do Inmet para setembro indica temperaturas acima da média em grande parte do país, sobretudo nas regiões Norte, Nordeste e Centro‑Oeste. No Sudeste, os maiores desvios positivos são previstos para Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro. Em São Paulo, as temperaturas devem ficar dentro da média, com valores de até 1 °C acima da média na zona leste. Na região Sul, a maioria das áreas também deve permanecer dentro da média, sendo que o leste do Paraná pode registrar desvios positivos de até 0,6 °C acima da climatologia.
Esse cenário também aparece na previsão climática elaborada em conjunto pelo Inmet, Cptec/Inpe (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos). Para o trimestre setembro‑outubro‑novembro, o conjunto de modelos aponta maior probabilidade de temperaturas acima da faixa normal em grande parte do Brasil, ao mesmo tempo em que não descarta episódios de queda acentuada das temperaturas em setembro associados à incursão de massas de ar frio. Assim, a tendência de calor não implica um período de temperatura elevada contínua.
O El Niño também altera a distribuição das chuvas, com impactos regionais distintos. Entre setembro e novembro, a previsão conjunta do Inmet, Inpe e Funceme indica maior probabilidade de precipitações acima da média na Região Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Norte e Nordeste devem apresentar maior probabilidade de chuva abaixo da média. No Centro‑Brasil e em parte do Sudeste, a expectativa também é de precipitações abaixo da média, especialmente em Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.
Quanto às temperaturas, o conjunto de modelos usado pelos órgãos de meteorologia aponta tendência de valores acima da faixa normal em grande parte do país. Na Amazônia Legal e no Pantanal, o Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) prevê temperaturas acima da média durante todo o trimestre. No Sul, a previsão de chuvas acima da média está associada a maior disponibilidade hídrica e redução do risco de geadas tardias, embora não elimine a possibilidade de episódios de frio na primavera, conforme ressalta o painel climático.
O atual episódio de El Niño foi confirmado em junho de 2026. Segundo o terceiro Painel El Niño 2026‑2027, elaborado conjuntamente pelo Inmet, Inpe, ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), SGB (Serviço Geológico do Brasil), Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) e Censipam, há 100 % de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027. O painel ainda aponta alta probabilidade de que o El Niño alcance a categoria de muito forte, com anomalias da temperatura da superfície do mar superiores a 2 °C no Pacífico Equatorial entre a primavera e o verão de 2026. As projeções do CPC/NOAA (Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) também são citadas nas análises climáticas.
Com informacoes de CNN Brasil.

