Crise do Ueno Bank compromete recursos de estatais paraguaias e afeta quase 3 milhões de clientes

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 06/11/2026 06:36
Crise do Ueno Bank compromete recursos de estatais paraguaias e afeta quase 3 milhões de clientes

Foto: via Poder360

A crise do Ueno Bank, no Paraguai, está atingindo aproximadamente três milhões de clientes e também envolve recursos de diversas instituições públicas e fundos de previdência.

O Banco Central do Paraguai (BCP) deu início ao processo de resolução do banco na terça‑feira, 3 de novembro de 2026, após constatar que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos da metade do patamar mínimo exigido pelas normas do setor.

Com base na Lei nº 7.755, aprovada na quarta‑feira, 4 de novembro de 2026, foi autorizada a antecipação de parte da garantia dos depósitos, medida que começou a ser executada na quinta‑feira, 5 de novembro de 2026. A regra permite devolver até 40 salários‑mínimos por depositante, descontando eventuais dívidas em atraso com a instituição. Os pagamentos são realizados por meio de outras instituições financeiras.

Para que os correntistas saibam em qual banco ou financeira receberão os recursos, o BCP disponibilizou uma plataforma online. O serviço sofreu instabilidades devido ao grande volume de acessos simultâneos, mas possibilita a consulta do destino do adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) sem a necessidade de aguardar e‑mail. A ferramenta está acessível no site oficial do BCP.

Entre os entes públicos afetados, destaca‑se o Instituto de Previsión Social (IPS). Segundo declaração da gerente financeira Gladys Vera ao jornal ABC Color, em 4 de novembro, o IPS mantinha cerca de US$ 355 milhões aplicados no Ueno Bank, em depósitos a prazo e valores disponíveis para saque, o que corresponde a aproximadamente 9 % de todo o portfólio de investimentos da instituição. Desses recursos, 46 bilhões de guaranis estavam em contas à vista, passíveis de retirada imediata. O IPS, que possui recursos distribuídos em 14 bancos, afirmou estar avaliando medidas para recuperar o capital investido. Além disso, cerca de 32 mil aposentados recebem seus benefícios em contas do Ueno Bank; a entidade informou que está providenciando a transferência desses pagamentos para outras instituições, garantindo a continuidade dos pagamentos.

A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) também tem recursos alocados no banco. Em declaração ao ABC Color, em 3 de novembro, o presidente da estatal, Miguel Báez, informou que a ANDE dispunha de aproximadamente US$ 46 milhões provenientes de empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de Taiwan, destinados a obras, além de cerca de 36 bilhões de guaranis de recursos próprios.

A Caja de Jubilaciones de Itaipú (Cajubi), responsável pela previdência dos funcionários da binacional, possuía, conforme memória institucional de 2025 reproduzida pelo ABC Color, 41,3 bilhões de guaranis em certificados de depósito de poupança distribuídos entre cinco fundos. A entidade assegurou que continuará pagando aposentadorias e pensões normalmente, mas não divulgou estimativas sobre a recuperação dos valores aplicados no Ueno Bank.

A Agência Financiera de Desarrollo (AFD) figura como principal credora local do Ueno Bank, de acordo com relatório da Moody’s publicado pelo ABC Color na quinta‑feira, 5 de novembro. Em junho de 2026, o montante devido ao banco representava 38 % do patrimônio líquido da instituição. A Moody’s ressaltou que esse percentual não indica perda já registrada nem confere ao Estado qualquer participação acionária, pois os empréstimos foram concedidos com recursos próprios da agência. A recuperação dos recursos da AFD dependerá do andamento do processo de resolução e dos ativos disponíveis do Ueno Bank.

O processo de resolução conduzido pelo BCP inclui a avaliação detalhada dos ativos, passivos e bens do Ueno Bank, a fim de definir a ordem de pagamento dos credores, preservar recursos e cumprir a legislação vigente. Para os depositantes cujos valores excedam o limite da garantia, ainda não há garantia de devolução total; o montante a ser restituído dependerá dos recursos efetivamente disponíveis e das regras que estabelecem a hierarquia de recebimento.

A magnitude da crise tem repercussões significativas para o sistema financeiro paraguaio, dada a relevância do Ueno Bank no mercado. Não é a primeira vez que a instituição aparece no centro de turbulências, como evidenciado nas recentes renúncias do presidente do Paraguai, Santiago Peña, e do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, ambos citados em coberturas anteriores do portal.

Com informacoes de Poder360.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.