Presidente Santiago Peña renuncia após pedido de impeachment ligado ao Ueno Bank

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 05/11/2026 15:04
Presidente Santiago Peña renuncia após pedido de impeachment ligado ao Ueno Bank

Foto: Congresso em Foco

Santiago Peña comunicou sua renúncia à presidência da República do Paraguai nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, após perder o apoio do Partido Colorado, que aderiu ao pedido de impeachment motivado por suspeitas ligadas ao Ueno Bank.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o presidente, que completou três anos e dois meses no cargo, afirmou: "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O faço pensando na estabilidade de nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas".

Peña também dirigiu um pedido de desculpas à população pelo envolvimento no caso Ueno Bank, declarando: "Nunca foi minha intenção falhar com a confiança que depositaram em mim. Em cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro".

O ex‑presidente cobrou eficiência do Fundo de Garantia de Depósitos, instituição paraguaia equivalente ao Fundo Garantidor de Créditos brasileiro, no ressarcimento dos clientes prejudicados pela falência do banco, ressaltando: "Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos".

A renúncia ainda depende de aceitação do Congresso Nacional; caso seja aprovada, o vice‑presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, deverá assumir o governo para concluir o mandato presidencial, previsto até agosto de 2028.

O pedido de impeachment contra Santiago Peña foi apresentado na quarta‑feira, 4 de novembro de 2026, com a assinatura de 35 deputados da oposição. A acusação aponta conflito de interesses, favorecimento ao Ueno Bank e omissão diante de irregularidades financeiras, e inclui também o pedido de afastamento do vice‑presidente Pedro Alliana.

O Ueno Bank atendia cerca de 2,9 milhões de clientes e administrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos. Suas operações foram suspensas após o Banco Central do Paraguai identificar problemas de solvência, fato já noticiado em 03/11, quando a instituição interveio após o índice de solvência cair abaixo de 50%.

Santiago Peña foi acionista da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025 e nomeou Carlos Carvallo, antigo dirigente do grupo financeiro, para a presidência do Banco Central, conforme relatado anteriormente em nossa cobertura da intervenção bancária.

O processo ganhou força nesta quinta‑feira, quando Horacio Cartes, ex‑presidente da República e presidente do Partido Colorado, anunciou apoio ao impeachment, ampliando a pressão sobre o governo. Na mesma data, o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, convocou sessões extraordinárias para analisar o impeachment de Peña e do vice‑presidente Alliana, conforme divulgado em 05/11.

De acordo com a Constituição paraguaia, a Câmara dos Deputados precisa aprovar a acusação por maioria de dois terços para encaminhá‑la ao Senado, e a destituição depende de dois terços dos votos dos senadores. Peña apresentou sua renúncia antes da conclusão do julgamento.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

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