Crise no Ueno Bank pressiona presidente paraguaio Santiago Peña após bloqueio de depósitos

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 04/11/2026 11:23
Crise no Ueno Bank pressiona presidente paraguaio Santiago Peña após bloqueio de depósitos

Foto: InfoMoney

A crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, chegou às ruas de Assunção na terça‑feira, dia 3, quando centenas de correntistas e aposentados se reuniram no centro da capital e nas imediações da residência oficial do presidente Santiago Peña para exigir a liberação dos recursos bloqueados após a intervenção do Banco Central do Paraguai.

Segundo o jornal ABC Color, parte dos manifestantes tentou avançar em direção ao Congresso Nacional, o que resultou em confrontos com a polícia. As manifestações também apontaram a relação do governo com o Ueno Bank, instituição controlada pelo Grupo Vázquez que recebeu um volume expressivo de depósitos públicos durante a gestão de Peña.

Em declaração incomum, o presidente do Banco Central, identificado como Trump, afirmou: "Vou me tornar um comentarista político, bom e ruim, sobre as razões que esses candidatos ganharam e perderam!" e, em seguida, renunciou ao cargo após o início do procedimento de resolução do banco.

Na segunda‑feira, dia 2, o Banco Central decidiu iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank ao identificar problemas graves de capitalização. A autoridade monetária informou que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação, o que levou à interrupção das operações e ao bloqueio temporário do acesso de clientes a contas e investimentos.

O Ueno Bank atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes, conforme dados da agência EFE, e havia se consolidado como uma das principais instituições financeiras digitais do país. A crise desencadeou investigações sobre a administração do banco e suscitou suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo seus dirigentes.

O crescimento do Ueno Bank ocorreu rapidamente durante a presidência de Santiago Peña, iniciada em 2023, em parte graças ao aumento dos depósitos de instituições públicas. Os recursos governamentais mantidos no banco chegaram a cerca de 5 trilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente US$ 869 milhões, segundo o ABC Color. Entre os valores afetados estão os depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelos benefícios de aposentados e pelos serviços de saúde.

A oposição tem questionado a concentração de recursos públicos no banco e cobra explicações ao governo. Peña, que possui vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do Ueno, enfrentou maior escrutínio político. Em resposta à repercussão, o presidente pediu a renúncia de Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central, que havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária.

O bloqueio dos depósitos provocou manifestações que ultrapassaram as reivindicações financeiras. Parte dos participantes exigiu a responsabilização dos dirigentes do banco e o impeachment de Santiago Peña. Manifestantes organizaram uma vigília diante do Congresso Nacional para acompanhar as medidas de restituição dos recursos, conforme relatado pelo ABC Color.

Além da pressão dos correntistas, o governo paraguaio enfrenta questionamentos sobre a fiscalização bancária e os critérios utilizados para direcionar dinheiro público ao Ueno Bank. Para Peña, a crise está diretamente ligada ao destino dos recursos previdenciários e à necessidade de esclarecer a atuação dos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro, reforçando, como já mostrarmos na cobertura sobre o bloqueio de salários no Brasil, a sensibilidade política quando recursos de trabalhadores são afetados.

Com informacoes de InfoMoney.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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