Cenário pós-eleição agrava e pode forçar Copom a suspender cortes na Selic

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 03/11/2026 11:00
Cenário pós-eleição agrava e pode forçar Copom a suspender cortes na Selic

Foto: via Valor Econômico

Analistas apontam que a mudança brusca no panorama econômico está relacionada a uma queda acentuada nas expectativas de inflação de médio e longo prazos, ao reforço da inflação corrente devido ao fenômeno El Niño, ao fim da jornada de trabalho 6x1, à reforma tributária e ao risco de encerramento do subsídio aos combustíveis, além da percepção de que o Banco Central (BC) se tornou a última âncora para os agentes diante da piora no risco fiscal.

Em uma pesquisa recente realizada com 105 casas de análise, 72 indicaram que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic estável em 13,75%, enquanto 33 projetam ao menos um corte de 0,25 ponto percentual no juro básico. Essa mudança representa uma inversão em relação às projeções de setembro, quando a maioria esperava a continuidade da flexibilização monetária.

O levantamento conduzido pelo Valor também revelou dois movimentos que reforçam a sensação de um mercado mais cauteloso: o aumento das expectativas de inflação e a elevação da trajetória esperada para a Selic. Para o final de 2027, a inflação projetada subiu de 4,3% em setembro para 4,6% agora, e a mediana das estimativas para a Selic avançou de 12,00% para 12,50%.

Instituições financeiras da Faria Lima, como os bancos Itaú Unibanco, BTG Pactual e Morgan Stanley, além das gestoras Genoa Capital, Legacy Capital e XP Asset Management, passaram a adotar um cenário ainda mais conservador, prevendo a Selic estacionada em 13,75% pelo menos até o término do próximo ano.

Segundo a equipe de economistas do Itaú Unibanco, liderada pelo ex-diretor do BC Diogo Guillen, "o cenário se tornou mais adverso, refletindo o aumento das pressões inflacionárias domésticas, o risco de deterioração adicional das expectativas e um ambiente externo mais desafiador, com ciclos de aperto de juros nas economias desenvolvidas e alta nos preços do petróleo". O banco destaca que o enfraquecimento da atividade econômica ajuda a limitar, por ora, a necessidade de um novo aperto monetário.

Um grupo minoritário de casas de análise já contempla a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano. São quatro instituições que trabalham com esse cenário-base: Terra Investimentos, Oby Capital, Travelex Bank e Paraná Banco.

Entre os defensores da interrupção dos cortes na reunião do Copom desta semana, o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, ressalta que as pressões externas e internas dificultam ainda mais a tarefa do BC. O Citi já previa estabilidade da Selic antes das eleições, ao observar uma deterioração gradual do ambiente econômico, reforçada pela valorização do petróleo, a depreciação cambial e o risco de nova desancoragem das expectativas. "Não há muita dúvida de que o BC não tem mais espaço", afirma Porto.

Porto aponta que a variação cambial de aproximadamente R$5,15 para R$5,40 por dólar na última reunião adiciona cerca de 0,4 ponto percentual de pressão inflacionária, segundo os parâmetros de repasse adotados pela autoridade monetária. O aumento dos juros globais e o acréscimo do prêmio de risco brasileiro também tendem a elevar a taxa de juros neutra, exigindo uma Selic mais alta para manter a restrição monetária. O economista espera projeções de inflação mais elevadas e a manutenção de um balanço de riscos assimétrico, inclinado para alta, na próxima comunicação do Copom.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

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