Após ameaças de envenenamento, governo Lula envia ministros a aldeias indígenas de MS
O presidente Lula enviou três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar denúncias de ameaças e ataques contra comunidades indígenas após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). A comitiva visita duas aldeias neste sábado (31), enquanto a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam episódios de intimidação, agressões e uma ameaça de envenenamento da água consumida por indígenas.
Participam da missão Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania; e Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública. Os ministros têm visitas previstas às aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru, além de entrevista coletiva em Dourados.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma ter registrado mais de 30 denúncias de violência relacionadas ao processo eleitoral em Mato Grosso do Sul, incluindo ameaças de morte, agressões e atropelamentos. Os relatos indicam hostilidades após a reeleição de Lula, mas a motivação de cada episódio ainda precisa ser esclarecida.
Um dos casos mais graves ocorreu em Tacuru. Áudios atribuídos a um funcionário da prefeitura passaram a circular com ameaças contra indígenas, incluindo a sugestão de colocar veneno na água consumida pelas comunidades. O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou o vínculo do servidor com a administração municipal e anunciou seu afastamento para investigação. Segundo a Folha de S.Paulo, o funcionário atua na área de infraestrutura, sem responsabilidade pelo abastecimento de água.
O MPF abriu investigação e cobrou esclarecimentos da prefeitura sobre as gravações e as medidas de proteção adotadas. A denúncia provocou temor entre moradores de aldeias que dependem de caminhões-pipa, segundo informações da Apib. Não há confirmação de que a água tenha sido contaminada.
As denúncias incluem um possível atropelamento intencional de indígena em Coronel Sapucaia e o incêndio da residência de uma rezadeira de 90 anos na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, conforme relato da Apib à Agência Brasil. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que pelo menos cinco mortes de indígenas na região, registradas desde sábado (24), estavam sob investigação. As autoridades ainda precisam esclarecer as circunstâncias e a eventual motivação eleitoral dos episódios. O MPF também apurou relatos de mortes de indígenas em Naviraí.
O governo federal criou uma força-tarefa para acompanhar as denúncias. A Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a PF, enquanto o MPF conduz procedimentos próprios. A Força Nacional também foi autorizada a atuar por 90 dias em apoio à Funai, sob coordenação da PF. A portaria foi assinada em 22 de outubro, antes do segundo turno, e publicada no dia 26. Portanto, a medida não foi criada especificamente em resposta aos episódios denunciados após a votação.
Além da possível motivação eleitoral, as investigações deverão apurar a relação dos ataques com os conflitos pela posse e demarcação de terras indígenas, historicamente enfrentados pelas comunidades Guarani e Kaiowá no Estado.
Com informacoes de Congresso em Foco.

