Anvisa autoriza Wegovy em comprimido, primeira formulação oral das canetas emagrecedoras
A versão injetável do Wegovy já era autorizada para o tratamento de indivíduos com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou com sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m² a <30 kg/m²) associado a comorbidade, a partir dos 12 anos de idade, em conjunto com dieta hipocalórica e aumento da atividade física.
Agora, a Anvisa aprovou a formulação oral do mesmo princípio ativo, a semaglutida, para o mesmo objetivo, porém restrita a adultos. Em nota, a agência destaca que a semaglutida "atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade".
Já existia no Brasil uma versão oral da semaglutida, o Rybelsus, também da Novo Nordisk, aprovado apenas para diabetes tipo 2, pois não demonstrou perda de peso significativa.
Segundo Priscilla Mattar, vice‑presidente médica da Novo Nordisk no Brasil, a aprovação do Wegovy comprimido oferece "uma escolha real" para quem vive com obesidade ou sobrepeso, pois o medicamento contém o mesmo princípio ativo da caneta injetável, mas em formulação diária oral, permitindo perda de peso significativa dentro de diferentes estratégias terapêuticas. Ela acrescentou que, pela primeira vez, um comprimido atinge a potência de um medicamento injetável de alta eficácia no tratamento de excesso de peso.
Além das canetas emagrecedoras, a reportagem menciona que um novo dispositivo está sendo desenvolvido para combater a obesidade por meio de estímulos cerebrais, embora ainda não haja detalhes sobre sua disponibilidade.
Outro medicamento oral que pertence à classe dos análogos de GLP‑1 é a orforgliprona, comercializada como Foundayo nos Estados Unidos. O fármaco, produzido pela Eli Lilly – mesma empresa responsável pelo Mounjaro (tirzepatida) – ainda está em análise na Anvisa.
O Wegovy oral deve ser administrado uma vez ao dia e, assim como a versão injetável, segue um esquema de titulação: inicia-se com 1,5 mg, avança para 4 mg, depois 9 mg e, finalmente, atinge a dose de manutenção recomendada de 25 mg. O comprimido precisa ser ingerido em jejum, com pouca água, e o paciente deve aguardar pelo menos 30 minutos antes de consumir alimentos, bebidas ou outros medicamentos.
A Anvisa ressalta que a nova apresentação traz "mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde", possibilitando transição entre as formulações oral e subcutânea quando clinicamente indicado, conforme orientações da bula.
Até o momento, não há estimativas de custo para o Brasil. A definição do preço máximo ainda depende da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa necessária antes da comercialização nas drogarias.
Nos Estados Unidos, o tratamento mensal com a dose de manutenção de 25 mg custa aproximadamente 299 dólares, o que equivale a cerca de R$ 1,6 mil na cotação atual. O medicamento foi lançado no país em janeiro deste ano e já contabiliza mais de 7 milhões de prescrições dispensadas.
A aprovação da Anvisa se baseou nos resultados do estudo clínico de fase 3 OASIS 4, que avaliou a eficácia da semaglutida oral de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso e comorbidades. Após 64 semanas de tratamento, a medicação promoveu perda média de 13,6 % do peso corporal. Uma análise posterior, considerando que todos os pacientes permanecessem em tratamento, estimou que a redução poderia chegar a aproximadamente 17 %.
Nos testes, 1 em cada 3 voluntários perdeu
Com informacoes de O GLOBO.

