Trump propõe ordem para que pecuaristas processem carne própria; JBS entre empresas visadas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta‑feira (28) a preparação de uma ordem que permitirá a pecuaristas e agricultores processarem seus próprios alimentos, alegando que quatro empresas tornam a vida dos produtores americanos miserável.
A iniciativa surge em meio a uma forte alta nos preços da carne bovina, situação alimentada pela redução do rebanho ao menor nível em 75 anos e pelas restrições de importação de gado mexicano, que foram intensificadas em 2025 devido ao risco de disseminação da bicheira‑do‑Novo‑Mundo.
Trump informou que autorizou a elaboração de documentos legais para desfazer o que classificou como um “poderoso monopólio”. Segundo a Reuters, quatro empresas concentram cerca de 85 % do processamento de carne nos EUA: Cargill, Tyson Foods, JBS USA e National Beef Packing. As empresas não responderam aos pedidos de comentário da agência de notícias.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, anunciou que haverá “grandes anúncios” a partir de segunda‑feira (31), incluindo a ampliação da capacidade dos pecuaristas de vender seus produtos entre estados, maior apoio a pequenos processadores de carne e o cancelamento de “orientações desatualizadas”.
A declaração de Trump ocorre dias depois de sua participação no podcast de Glenn Beck, programa no qual o apresentador sugeriu que as normas do Departamento de Agricultura dos EUA deixam os pecuaristas dependentes da indústria de processamento de carnes.
Os consumidores americanos continuam a enfrentar aumento de preços dos alimentos, cenário que se intensifica meses antes das eleições de meio de mandato marcadas para novembro. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço de uma libra (453,59 g) de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho deste ano, 79 % acima do registrado no início de 2019.
O aumento no preço da carne bovina está relacionado principalmente à redução do rebanho e da produção, em um contexto de demanda ainda aquecida. O preço do gado atingiu níveis recordes, movimento que acabou sendo repassado ao consumidor. Apesar de serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
Com informacoes de G1.

