Chefe de segurança do Irã ameaça cortar petróleo pelo Estreito de Ormuz se vizinhos apoiarem Trump

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 22/08/2026 22:20
Chefe de segurança do Irã ameaça cortar petróleo pelo Estreito de Ormuz se vizinhos apoiarem Trump

Foto: via G1

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou em entrevista à mídia estatal neste sábado (22) que irá retaliar quaisquer países vizinhos que se alinhem à ofensiva dos Estados Unidos contra a República Islâmica.

O alto‑funcionário afirmou que, se os vizinhos colaborarem com os americanos na chamada guerra econômica, “nem uma gota de petróleo sairá pelo Estreito de Ormuz” e que o Irã atacará também outras rotas de exportação de petróleo.

Rezaei ressaltou que o Irã não pretende ampliar o conflito, mas que, caso haja cooperação dos países vizinhos com os EUA, seus interesses serão visados.

Três dias antes, na quarta‑feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede social Truth que promoverá a “operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país”, com o objetivo de isolar o Irã em escala “sem precedentes”. Na mesma mensagem, Trump advertiu que qualquer nação que permitir que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais forneçam apoio ao Irã sofrerá “tremendas consequências econômicas”.

O analista Daniel Sousa comentou que Donald Trump está “improvisando” na condução da guerra econômica contra o Irã.

Especialistas apontam dúvidas sobre a eficácia de uma guerra econômica adicional, já que o Irã já enfrenta um amplo conjunto de sanções que dificultam o comércio internacional.

Em janeiro, Trump já havia anunciado uma tarifa de 25 % sobre qualquer país que mantivesse negócios com o Irã.

Mesmo sob sanções, o Irã mantém uma extensa rede de parceiros comerciais, sobretudo por ser grande produtor de petróleo. Segundo o Banco Mundial, em 2022 o país exportou produtos para 147 nações.

A China permanece como principal parceiro comercial do Irã; em 2022, as exportações iranianas para a China totalizaram US$ 22 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 15 bilhões.

A Índia ocupa a segunda posição. Nos primeiros dez meses de 2025, o comércio bilateral somou US$ 1,34 bilhão, com as principais exportações indianas para o Irã incluindo arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos.

Outros grandes parceiros comerciais do Irã são Alemanha, Coreia do Sul e Japão, países que integram a aliança dos Estados Unidos.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Irã não está entre os 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, embora seja um dos principais destinos brasileiros no Oriente Médio. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas, enquanto as exportações brasileiras para o Irã alcançaram US$ 2,9 bilhões, destacando milho, soja e açúcar.

Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, afirmou que as declarações de Trump motivaram nações a buscar “novos acordos de segurança e cooperação econômica”. Em publicação no X (antigo Twitter), Ghalibaf acusou os Estados Unidos de colocar a segurança de seus aliados em risco por meio de intimidação e desrespeito aos interesses iranianos em prol de Israel, alegando que “os Estados Unidos viram toda a sua existência em risco”.

No fim de semana, o chefe da segurança iraniano também exigiu mudanças na abordagem diplomática da República Islâmica, citando “repetidas violações de compromissos por parte dos EUA durante as negociações”. Ele concluiu: “O Irã de hoje não é o Irã de antes da guerra”.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.