Trump responde a tarifas de retaliação do Canadá e eleva tensão na guerra comercial
Ottawa anunciou a aplicação de tarifas sobre produtos norte‑americanos a partir de 8 de setembro, depois de fracassarem as negociações bilaterais; aproximadamente 70% das exportações canadenses têm os Estados Unidos como principal destino.
No domingo, dia 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente as medidas de retaliação anunciadas por Ottawa em resposta às novas tarifas impostas por Washington, publicando mensagem na rede Truth Social em que afirmou que o Canadá quer "os benefícios de um estado americano sem ser um" e encerrou com o enfático "Basta!".
Além de acusar o Canadá de tentar tirar proveito da proximidade com os EUA sem assumir as mesmas responsabilidades, o republicano reclamou das tarifas aplicadas por Ottawa a produtos agrícolas americanos.
A declaração de Trump ocorreu um dia depois de o primeiro‑ministro canadense, Mark Carney, anunciar uma série de medidas de represália após rejeitar o que qualificou como um "mau acordo" comercial proposto por Washington. Carney informou que as sobretaxas terão valor equivalente, "dólar por dólar", às tarifas americanas que passaram a vigorar no sábado, 22, sobre cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses para os EUA.
As contramedidas canadenses, que entrarão em vigor em 8 de setembro, abrangerão setores como aço, produtos lácteos, indústria de papel, máquinas agrícolas e eletrônicos.
O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou à emissora Fox News que Washington pretende responder às medidas canadenses, sem detalhar quais seriam os próximos passos, e acrescentou que não há novas rodadas de negociação previstas entre os dois países.
Após semanas de conversas, Mark Carney decidiu interromper as negociações na noite de sexta‑feira, 21, pouco antes do prazo estabelecido pela Casa Branca. Segundo o premiê canadense, Washington tentou incluir no acordo cláusulas que limitariam a capacidade do Canadá de firmar futuros acordos comerciais com outros parceiros. "Quando somos atacados, estamos em guerra. Nós fomos atacados", declarou Carney em Ottawa.
Carney ainda afirmou que as exigências americanas representariam ameaças à língua francesa e à cultura do Quebec, citando subsídios à produção cultural francófona, a presença de meios de comunicação em francês nas plataformas digitais e a obrigatoriedade da rotulagem bilíngue dos produtos vendidos no Canadá como pontos de atrito.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o Canadá tem sido um dos principais alvos da ofensiva comercial promovida pelo presidente americano, que frequentemente menciona a ideia de transformar o vizinho no "51º estado" dos Estados Unidos.
A disputa marca uma nova deterioração nas relações entre os dois países e afeta inclusive produtos normalmente protegidos pelo acordo de livre comércio firmado pelos EUA, Canadá e México (USMCA).
"A América mudou e não podemos controlar a tempestade que vem de Washington", declarou Mark Carney.
No Canadá, a decisão de abandonar as negociações recebeu apoio da maior parte da classe política, embora especialistas alertem para os riscos econômicos de uma escalada tarifária prolongada, já que os EUA são o principal parceiro comercial canadense e cerca de 70% das exportações do país têm como destino o mercado americano, tornando-o particularmente vulnerável a uma guerra comercial com seu maior comprador.
Com informacoes de G1.

