Tentativa de Zema de se manter na política sofre revés com traição em Minas
O projeto político de Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, está enfrentando um grande revés com a traição em Minas. O rompimento anunciado pelo ex-secretário Marcelo Aro, que por três anos esteve abrigado nos governos de Zema e Mateus Simões, coroou o fracasso de uma estratégia política do ex-governador e de seus aliados na pré-campanha.
Aro, tudo indica, será palanque de Flávio Bolsonaro se o vacilante Cleitinho Azevedo não conseguir convencer o Republicanos a aceitar de novo uma candidatura do até então líder isolado de todos os levantamentos. Aconteça o que acontecer, Mateus Simões estará formalmente isolado, sem apoio de qualquer partido expressivo.
O Novo, por seus posicionamentos históricos quanto a coligações, era considerado um entrave a essas alianças. Com um palanque enfraquecido em seu próprio Estado e com grandes chances de não conseguir eleger o sucessor que dependia muito da coligação para virar o jogo nas pesquisas, Zema até aqui não conseguiu articular nada a nível nacional.
Reconhecidamente alguém que não gosta de política, o governador não fechou aliança nenhuma. Como o Novo não superou a cláusula de barreira na última eleição, se não surgir uma composição milagrosa de última hora, Zema não estará no horário eleitoral. Fora da TV, o governador enfrentará mais dificuldades para se firmar em relação a Ronaldo Caiado (PSD), que aparecerá por poucos segundos, e duelará com um Renan Santos (Missão) que tem muito mais capilaridade nas redes com o ecossistema criado no MBL.
Há boas chances de que o ex-governador de Minas acabe amargando o quinto lugar na disputa. Sem horário eleitoral, sem palanques e espremido entre o eleitor liberal que também vota no Missão, o do agro que pode escolher Caiado e o bolsonarista que tem preferência por Flávio, Zema talvez não consiga cumprir o principal objetivo de sua candidatura: o impulsionamento de nomes do Novo ao Legislativo.
Em eleições anteriores, ele se mostrou um fraco transferidor de votos. Não conseguiu eleger muitos prefeitos mesmo no cargo de governador. A situação de Mateus diz mais um pouco sobre isso e, se o cenário não se alterar bruscamente, a tendência é que Zema desapareça da política após as eleições de outubro.
Com informacoes de Estadão.

