Juiz determina que presidente da Colômbia peça desculpas por violar laicidade na posse

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/08/2026 19:00
Juiz determina que presidente da Colômbia peça desculpas por violar laicidade na posse

Foto: via G1

Um juiz de primeira instância na Colômbia decidiu que o presidente Abelardo de la Espriella deve apresentar um pedido de desculpas público no dia 30 de setembro, transmitido simultaneamente por rádio e televisão, reconhecendo a violação da neutralidade religiosa prevista na Constituição.

A decisão foi divulgada nesta quinta‑feira, 27, e determina ainda que o presidente emita uma diretriz para que todos os servidores públicos respeitem e façam respeitar a neutralidade religiosa em atos oficiais.

A cerimônia de posse de De la Espriella ocorreu em 7 de agosto, na cidade de Cali, e incluiu uma sessão intitulada “invocação e louvor”, que contou com cantos, orações e manifestações de apoio a Israel. O palco apresentava um altar com a imagem da Virgem de Fátima e contou com a presença de representantes de três religiões: um rabino, um padre católico e um pastor evangélico.

O presidente costuma fazer referências a Deus e, poucos dias antes de assumir, participou de um retiro espiritual ao lado da esposa e dos membros do gabinete que havia escolhido, ocasião em que entregou uma Bíblia aos participantes. Vídeos publicados nas redes sociais mostram De la Espriella ajoelhado e rezando durante o evento.

Embora no passado o advogado milionário tenha se declarado ateu, durante a campanha presidencial afirmou ter passado por uma profunda transformação espiritual que o aproximou de Deus. Diversas igrejas apoiaram sua candidatura, e integrantes de setores evangélicos ocupam cargos no governo.

A oposição critica a postura do novo governo, apontando para medidas como o decreto do Ministério da Educação que autoriza a participação de igrejas em estratégias pedagógicas de escolas públicas, bem como a mudança de linguagem nos documentos oficiais, que substituiu a expressão “meninos e meninas” por “infância”. O bloqueio é descrito como parte de uma “batalha cultural” que, segundo a esquerda, busca reverter direitos fundamentais e fortalecer valores ligados à família tradicional e à religião.

O documento ao qual a AFP teve acesso detalha que o juiz entende que a presença de líderes religiosos na posse foi incompatível com o princípio de neutralidade religiosa do Estado, e que a exigência de pedido de desculpas visa restabelecer o respeito ao laicismo institucional.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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