STF levanta sigilo de 38 documentos do caso Master, incluindo processos de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 12/09/2026 06:36
STF levanta sigilo de 38 documentos do caso Master, incluindo processos de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner

Foto: Chao Soi Cheong/AP

Na noite da sexta-feira, 11 de setembro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu retirar o sigilo de novos documentos relativos ao caso Master.

Entre os processos cujo sigilo foi suspenso estão aqueles que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), o deputado Ciro Nogueira (PP‑PI), o prefeito Cláudio Castro (PL‑RJ), o ex‑governador Jaques Wagner (PT‑BA) e o empresário Thiago Miranda.

O senador Flávio Bolsonaro continua sob investigação da Polícia Federal em um inquérito aberto para apurar supostos crimes ligados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", biografia cinematográfica do ex‑presidente Jair Bolsonaro; a autorização para o procedimento foi concedida em julho pelo próprio ministro Mendonça, após solicitação da PF.

Na mesma sexta-feira, a Procuradoria‑Geral da República solicitou a ampliação da retirada de sigilo, argumentando que a divulgação parcial poderia "induzir a ideia equivocada de transparência". Segundo a PGR, a lista enviada pelo relator do caso não contemplava a maioria dos procedimentos associados à investigação mais ampla da Polícia Federal.

Em resposta, o ministro Mendonça liberou o sigilo de 18 processos diretamente ligados ao caso Master e, adicionalmente, retirou o sigilo de mais 20 processos, totalizando 38 documentos disponibilizados.

Na noite anterior, 10 de setembro, o mesmo ministro havia determinado a remoção do sigilo das principais apurações sobre o Banco Master que tramitam no STF, elevando o número total de procedimentos a serem tornados públicos para 53.

A PGR ressaltou que a lista de documentos liberados ainda deixava de fora grande parte dos procedimentos vinculados à Operação Compliance Zero, destacando que tal omissão poderia gerar a impressão de que a transparência está comprometida.

O pedido de ampliação foi dirigido ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e foi assinado pelo vice‑procurador‑geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. O procurador‑geral da República, Paulo Gonet, também atuará conjuntamente no caso.

Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin enviaram ofícios ao presidente Fachin defendendo medidas semelhantes às propostas pela PGR. Zanin requereu acesso a uma mídia específica necessária para análise de requerimentos que deverão ser apreciados pelo tribunal na semana seguinte. Moraes, por sua vez, criticou a retirada "seletiva" do sigilo, apontando que 180 documentos e arquivos digitais permaneceram indisponíveis aos membros da Corte, o que, segundo ele, prejudica a análise completa dos fatos. Além disso, Moraes pediu que duas petições — uma sobre mensagens trocadas entre ele e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro e outra contendo relatórios sobre a atuação de Mendonça em investigações — fossem julgadas em conjunto.

A decisão de levantar o sigilo das investigações principais do Banco Master, feita em 10 de setembro a pedido de Fachin, manteve em sigilo outras frentes, como as apurações ligadas ao senador Jaques Wagner e ao financiamento do filme "Dark Horse", que incluem conversas entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. O episódio evidencia divergências públicas entre integrantes da Corte, a PGR e a direção geral da Polícia Federal, reforçando que não é a primeira vez que a PGR busca ampliar a transparência nos documentos do caso Master, conforme já noticiado em cobertura anterior.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.