Gilmar Mendes solicita a Edson Fachin que julgue em conjunto caso de Moraes e relatório da PF sobre Daniel Vorcaro
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, solicitando que o plenário analise de forma conjunta o procedimento referente ao relatório da Polícia Federal que traz mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, bem como o processo que envolve o ministro André Mendonça.
Em seu documento, Mendes argumenta que a fragmentação de processos que compartilham bases factuais comuns dificulta a compreensão global pelo colegiado e pode gerar decisões incompatíveis, situação que as regras de conexão pretendem evitar. Ele ressalta a necessidade de unidade na condução, clareza quanto ao objeto do julgamento e observância rigorosa das garantias processuais de todos os envolvidos.
O ministro também aponta que o julgamento agendado para a próxima terça‑feira (15) sobre o relatório da Polícia Federal ainda não está em condições de ser apreciado, sugerindo que o plenário inicie o debate pelas questões preliminares antes de avançar ao exame de mérito. Mendes destaca, em especial, a nulidade suscitada pelo Procurador‑Geral da República quanto à ordem do relator para produzir um relatório de mais de 200 páginas sobre alvos escolhidos.
Edson Fachin já havia convocado o plenário para discutir o relatório da Polícia Federal que aponta uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O documento apresenta 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, obtidas a partir de dados extraídos do celular do ex‑banqueiro; as respostas de Moraes não constam no material. As mensagens também fazem referência ao procurador‑geral Paulo Gonet e ao diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A controvérsia tem origem na crise institucional que se intensificou a partir das investigações sobre o Banco Master. Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um procedimento que continha o relatório da Polícia Federal, alegando que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do STF. Na mesma data, a Procuradoria‑Geral da República, por meio de Gonet, contestou a validade da investigação, sustentando que o relator não poderia aprofundar apurações envolvendo outro ministro sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.
Como já demonstrado em coberturas anteriores sobre a crise no STF envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes, o caso continua a gerar intenso debate acerca da condução das investigações e das possíveis interferências entre as instituições.
Com informacoes de G1 Política.

