Snap chega a acordo com adolescentes e evita julgamento sobre vício em redes sociais
Snap, controladora do Snapchat, chegou a um acordo com dois adolescentes que alegavam que a plataforma incentivava o uso compulsivo e prejudicava a saúde mental, conforme anunciado na segunda‑feira (2) durante o julgamento que poderia marcar a primeira vez que a empresa enfrentaria um júri nesse tipo de ação.
O processo tramitava no tribunal estadual de Los Angeles, Califórnia; a seleção do júri havia sido iniciada na semana anterior e o CEO Evan Spiegel estava programado para prestar depoimento.
Os jovens, identificados como S.J., de 16 anos, residente em Illinois, e K.D.B., de 18 anos, do Mississippi, já haviam firmado acordos com Meta, TikTok e YouTube; com o novo entendimento, todas as companhias citadas inicialmente nas ações desses adolescentes também chegaram a acordos.
S.J. relata ter assistido ao YouTube desde os três anos de idade, enquanto K.D.B. também teve contato precoce com a plataforma; ambos afirmam ter começado a usar outras redes sociais por volta dos nove anos.
As empresas rejeitam as acusações de que seus serviços são projetados para viciar menores, alegando que adotaram medidas para tornar os ambientes digitais mais seguros; um porta‑voz da Snap destacou a criação de mecanismos de proteção, tutoriais de segurança e parcerias com especialistas, reforçando o compromisso com privacidade e bem‑estar da comunidade.
Em paralelo, a Snap anunciou recentemente a demissão de 16% de seus funcionários para concentrar esforços em inteligência artificial; a mesma cobertura também trouxe outras manchetes, como a “guerra ao lixo de IA” envolvendo Snapchat, YouTube e LinkedIn, e a proposta da Noruega de restringir TikTok, Snapchat e Roblox para menores de 16 anos.
O caso foi escolhido entre milhares de ações pendentes nos Estados Unidos como um processo de referência (bellwether trial), destinado a testar argumentos contra as plataformas e possivelmente influenciar a resolução de outras demandas semelhantes; os advogados dos adolescentes indicam que o próximo conjunto de julgamentos desse tipo está programado para começar em março.
Essa disputa integra uma onda de processos movidos por indivíduos, escolas, municípios e entidades governamentais que acusam as redes sociais de estimular uso compulsivo e contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens; em março, um júri de Los Angeles considerou Meta e YouTube negligentes, condenando-as a pagar US$ 6 milhões (cerca de R$ 34,4 milhões) a uma jovem.
Em agosto, a Meta firmou acordos que podem chegar a US$ 18 bilhões (aprox. R$ 103,3 bilhões) com quase todos os estados e territórios dos EUA, incluindo US$ 5 bilhões condicionados à obtenção de acordos semelhantes com Snap, TikTok e YouTube.
Com informacoes de Olhar Digital.

