Presidente da Petrobras afirma que ninguém previu o petróleo neste patamar
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que o cenário de preços do petróleo se reverteu nos últimos dias e que a estatal começa a discutir uma nova conjuntura, acrescentando que "o que nós vamos fazer não está definido, mas temos que fazer alguma coisa".
Em paralelo, o Programa de Parcerias de Investimento (PPSA) vendeu 100% do gás da União no primeiro leilão exclusivo para indústrias e planeja uma nova oferta para 2027.
A executiva antecipou que a nova descoberta da Petrobras e a delimitação de blocos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) reforçam a importância da Margem Equatorial; ela também previu que a Bacia da Foz do Amazonas pode ter duas plataformas e que, com 40 projetos para ampliar a capacidade de FPSOs no pré-sal e pós-sal, a companhia conseguirá manter o ritmo de produção sem o declínio que era esperado pelo mercado para os próximos anos, até ter início a atividade na Margem Equatorial.
Os detalhes dessa estratégia deverão constar no próximo Plano de Negócios da companhia, que, segundo a presidente, deve apresentar uma cifra de investimentos robusta, maior do que a atual.
Sobre a visão dos investidores neste novo cenário global de preços em alta, Chambriard relembrou que, quando começou a Guerra do Golfo, ouviu de um investidor global que "não se briga muito com o preço do petróleo e que a estabilidade e a previsibilidade valem muito mais"; ela acrescentou que grandes fundos de Houston, Cingapura e Londres afirmam que investimento de longo prazo tem que ser previsível.
Ela destacou ainda que, ao contrário dos investidores de curto prazo no Brasil, que muitas vezes se preocupam com a especulação, a Petrobras tem perseguido a previsibilidade. Dos 16 grandes fundos globais que investem na Petrobras, 13 têm recomendação de compra da ação e os demais flutuam entre compra e neutro.
Muitos investidores do setor de petróleo têm buscado a América do Sul em meio à instabilidade no Oriente Médio; para eles, "a América do Sul somos nós". A Guiana está crescendo, mas lá são duas plataformas; a Venezuela tem um cenário incerto. No contexto sul‑americano, a Petrobras é a sétima maior produtora de petróleo do mundo, localizada na décima maior economia do planeta.
O petróleo é o primeiro produto de exportação do Brasil por dois anos seguidos, e este ano a tendência deve se repetir.
Quanto ao manejo dos preços dos combustíveis, Chambriard remete ao dia 12 de março, quando os ataques ao Irã, ocorridos em 28 de fevereiro, geraram expectativa de observar a tendência por 15 dias. Ela ressaltou que a preocupação constante era com o diesel; a empresa buscou um aumento de preço em março, mas o governo respondeu "eu vou subsidiar", o que a estatal considerou suficiente. Desde então, a volatilidade tem sido imensa.
Em relação ao valor de mercado da Petrobras, um banco de Wall Street apostou que a empresa pode chegar perto da marca de um trilhão de dólares.
Um aprendizado importante de 2018 e 2019 foi que, ao perseguir o pari passu dos preços internacionais, a companhia acabou perdendo dinheiro e market share, sendo difícil recuperar a posição. Em 2019, a fatia da Petrobras no mercado de diesel brasileiro caiu de 88% para 77% e, na gasolina, de 87% para 76%, devido à concorrência dos importados.
Posteriormente, a alta dos preços do petróleo ao longo de 2022 gerou confusão interna na companhia; entre abril e junho de 2022, a Petrobras teve três trocas de presidência, o que foi extremamente criticado pelos investidores de longo prazo, que entenderam que a empresa perdeu valor com aquela instabilidade.
Programas de governo, como os defendidos por Lula e Flávio, propõem a expansão do petróleo, mas não detalham como reduzir o custo da energia. Quando questionada sobre a solução encontrada – o subsídio do governo – a presidente reconheceu que não é sustentável a longo prazo devido ao impacto fiscal. Ela encerrou apontando que a preocupação permanece no cenário futuro e no preço do petróleo.
Com informacoes de O GLOBO.

