Eleções agitam small caps, Petrobras dispara e risco nos EUA preocupa; veja as mais lidas da semana
Entre os dias 18 e 23 de outubro, o tema das eleições brasileiras esteve entre os assuntos mais lidos do E‑Investidor, com destaque especial para as small caps, ou seja, as empresas de menor valor de mercado negociadas na Bolsa.
O entusiasmo gerado pelas eleições e a expectativa de uma queda mais acentuada da taxa Selic colocaram as small caps novamente no radar dos investidores, após anos de desempenho fraco. O mercado passou a incorporar a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro e a perspectiva de um ajuste fiscal a partir de 2027, cenário que poderia favorecer a redução dos juros.
Com esse pano de fundo, o índice Small Cap (SMLL) acumulou alta de 16% em outubro, superando os 9% de valorização do Ibovespa no mesmo período. Apesar da recuperação, as small caps ainda não retornaram aos níveis de 2019 e negociam com desconto de 72% em relação às empresas maiores, o que levou analistas a alertarem sobre riscos importantes.
Segundo Mark Zandi, da Moody’s Analytics, a criação de empregos ficou praticamente estagnada no último ano quando excluído o setor de saúde. Ao mesmo tempo, a confiança das pequenas empresas recuou em setembro, enquanto cresceu a preocupação com a fraqueza das vendas, indicador que historicamente se deteriora durante períodos de contração econômica.
Os assuntos mais lidos incluíram: small caps – eleições e aposta em juros menores trazem ações esquecidas de volta ao radar; Petrobras (PETR4) bate recordes com petróleo em alta e cenário eleitoral; o que fazer com as ações?; o risco escondido na economia dos EUA que começa a preocupar Wall Street; quais gestoras de fundos multimercados conseguiram aproveitar o rali eleitoral?
O resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro dois pontos percentuais à frente de Lula, impulsionou os ativos brasileiros. O Ibovespa subiu mais de 7%, o dólar recuou quase 5% e os juros futuros recuaram, beneficiando fundos multimercados que apostaram na alta da Bolsa e na queda dos juros, estratégia conhecida como “Kit Brasil”. Gestoras como Legacy Capital, Opportunity e Dahlia se posicionaram para aproveitar esse movimento.
Após o rali, as estratégias começaram a divergir: a Reach Capital, cujo principal fundo ganhou 14%, passou a priorizar ações ligadas ao consumo, enquanto a Occam reduziu sua exposição à Bolsa.
O risco agora é que o resultado do segundo turno frustre as expectativas já incorporadas aos preços.
A Eleven acredita que as small caps podem liderar a próxima fase de valorização da Bolsa, impulsionadas pela queda dos juros e pela recuperação da economia doméstica. O BTG Pactual também identifica oportunidades em empresas mais sensíveis à Selic, especialmente dos setores de varejo, infraestrutura, energia e construção civil.
Em um estudo sobre os efeitos de um corte de 1 ponto percentual nos juros, o BTG Pactual estima que os lucros da Viveo (VVEO3) poderiam crescer 77% em 2027, seguidos por Ecorodovias (ECOR3) com 45%, Auren (AURE3) com 28% e Minerva (BEEF3) com 23%. Dos 30 papéis destacados no levantamento, 22 integram o índice de small caps.
A Ágora Investimentos ressalta que o desconto das small caps pode persistir caso os juros não recuem de forma consistente. Por isso, recomenda combinar empresas com potencial de recuperação em um ambiente de Selic mais baixa com negócios de qualidade, capazes de apresentar resultados sólidos mesmo em condições econômicas menos favoráveis.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) acumularam valorização próxima de 100% em 2026, impulsionadas principalmente pela disparada do petróleo, que subiu de cerca de US$ 60 para US$ 108 o barril em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. A PETR3 lidera os ganhos do Ibovespa no ano, com alta de 109,27%, enquanto a PETR4 sobe 99,21%.
A estatal atingiu R$ 800 bilhões em valor de mercado, beneficiada também pela produção recorde, pelos lucros elevados e pelo otimismo do mercado com uma possível mudança de governo após as eleições. A Petrobras negocia múltiplos inferiores aos de concorrentes, enquanto a geração de caixa e a possibilidade de dividendos extraordinários sustentam o interesse dos investidores.
O Bank of America elevou o preço‑alvo da PETR3 de R$ 55 para R$ 70, e o BTG Pactual também mantém recomendação de compra. Ainda assim, especialistas recomendam cautela após o rali, já que parte das expectativas positivas pode estar incorporada aos preços.
‘Do Lula se espera tudo, até o ajuste fiscal’, afirma Felipe Miranda, fundador da Empiricus. Miranda acredita que a Bolsa brasileira já entrou em um ciclo de alta e pode avançar mais 35%, impulsionada pela expectativa de ajuste fiscal após as eleições. Embora veja oportunidades em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o empresário afirma que até uma reeleição de Lula poderia sustentar a valorização dos ativos, desde que acompanhada de medidas críveis para conter o crescimento da dívida pública. Em um cenário favorável, considera possível que o Ibovespa alcance entre 350 mil e 400 mil pontos ao fim do ciclo de alta.
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Com informacoes de Estadão.

