Lula surpreendido no primeiro turno de 2026 reage à derrota e reflete sobre sua trajetória política

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/10/2026 21:00
Lula surpreendido no primeiro turno de 2026 reage à derrota e reflete sobre sua trajetória política

Foto: via O GLOBO

No dia 4 de outubro, após um discurso confuso para uma plateia que aparentava luto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu do hotel Renaissance, em São Paulo, reclamando em tom de frustração. O vídeo da fala mostrava opções de reprodução em 0.5x, 1x, 1.25x, 1.5x e 2x, com marcações de tempo 00:00 a 00:00.

Na manhã seguinte, a apuração oficial revelou que Lula não ficou em terceiro, mas em quarto lugar, acumulando pouco mais de 1,1 milhão de votos. O senador Franco Montoro, do PMDB, liderou a disputa com mais de 5 milhões de votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula por uma diferença de 2,2 milhões de votos.

Décadas depois, o próprio Lula contou ao biógrafo Fernando Moraes que, ao ouvir o resultado, sentiu "doeu", entrou em desespero, perdeu o rumo e tinha a certeza de que sua carreira política havia terminado. Em entrevista anterior, ele havia dito: "Esse jornal da burguesia não está com nada, porra! Eu ganhei a eleição".

Apesar da derrota, Lula não abandonou a política. Em 1989, ainda preso, surpreendeu ao chegar ao segundo turno contra Fernando Collor, superando nomes como Leonel Brizola, Mário Covas e Ulysses Guimarães. Na primeira eleição direta em 29 anos, embora tenha perdido, recebeu 31 milhões de votos, tornando-se o maior líder da oposição. Anos depois, já presidente por dois mandatos, ele agradeceu a Deus por não ter vencido em 1989, alegando que era muito jovem e radical demais para evitar erros que cometeu em 2002.

O presidente de 80 anos, que deixou o hotel ainda perplexo, repetia a pergunta "Como foi que isso aconteceu?!" ao se referir ao seu governo de quatro anos, que ele considerava o melhor de seus três mandatos. Segundo oito ministros e ex‑ministros consultados nesta reportagem, a campanha do primeiro turno refletiu um governo autocentrado, pouco disposto a ouvir críticas.

Lula assumiu a presidência em 2023 acreditando que o cenário político ainda se assemelhava ao de 2010, quando concluiu seu segundo mandato com aprovação recorde. Ele subestimou a força do bolsonarismo, a revolução da comunicação digital, a independência do Congresso nas emendas parlamentares e o protagonismo do Supremo Tribunal Federal desde o julgamento do mensalão. Além disso, os anos da Operação Lava‑Jato e a prisão o deixaram ressentido com o empresariado e a mídia.

A primeira‑dama Janja da Silva, o ministro Sidônio Palmeira e o dirigente Edinho Silva foram apontados como alvos principais de críticas dentro da campanha, embora nenhum tenha ousado responsabilizar diretamente o presidente. Janja, ao introduzir questões de gênero e raça no discurso lulista, incentivou hábitos de vida saudáveis, mas também isolou o presidente de eventuais críticas.

Com a idade avançada, Lula passou a almoçar em casa quase todos os dias, raramente permanecendo no Palácio do Planalto após as 19h30, e limitou até mesmo as ligações de ministros fora do horário de expediente. Os tradicionais churrascos de fim de semana na Granja do Torto e os encontros de quinta‑feira com uísques e líderes do Congresso deixaram de acontecer durante o terceiro mandato.

Não está claro até que ponto esse isolamento foi decisão pessoal de Lula ou influência de Janja, mas a reclusão certamente afetou a relação do presidente com o restante do governo e a sociedade.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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