Política Externa Brasileira em Ogígia: Entre o Isolamento e a Ação
A discussão sobre facções e terrorismo no Brasil levanta questões sobre a política externa do país, especialmente diante da possibilidade de designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Uma semana após o I Fórum de Segurança Regional e Contraterrorismo, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara realizou audiência com o assessor da Presidência Celso Amorim para discutir a posição do governo brasileiro sobre o assunto.
Amorim destacou que o governo não nega a gravidade do crime organizado e que não há “complacência, tolerância ou relativização” em relação às facções. No entanto, a oposição às designações americanas teria natureza jurídico-estratégica, não moral, pois a designação unilateral pelos Estados Unidos pode ampliar a capacidade de Washington de impor sanções financeiras e administrativas e justificar o uso da força militar.
A distinção rígida entre terrorismo e crime organizado é questionada diante das transformações contemporâneas da criminalidade. O conceito de “crime organizado de terceira geração” identifica organizações que, mediante controle territorial armado e capacidade de impedir a presença do Estado, ultrapassam a moldura tradicional da criminalidade comum e configuram ameaças híbridas. Essas organizações podem empregar métodos terroristas e buscar influenciar a agenda estatal.
A imagem da ilha mítica de Ogígia, lar da ninfa Calipso, é usada como metáfora para o momento da política externa brasileira. Ogígia, onde Odisseu permaneceu por sete anos, representa um paraíso que é também uma prisão, impedindo o herói de prosseguir sua jornada. Essa imagem pode emoldurar a política externa brasileira, que parece estar em um estado de isolamento retórico, necessitando de uma decisão para deixar a ilha e romper com o adiamento da ação necessária.
Com informacoes de O Antagonista.

