Oferta de LCIs e LCAs encolhe e taxas caem: onde estão os papéis que pagavam até 100% do CDI?

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 24/09/2026 09:25
Oferta de LCIs e LCAs encolhe e taxas caem: onde estão os papéis que pagavam até 100% do CDI?

Foto: btg-pactual/efe

Quem acessou o aplicativo bancário nos últimos meses em busca de LCI ou LCA que pagassem 95% do CDI provavelmente saiu desapontado, pois esses títulos de renda fixa estão cada vez mais escassos e, quando encontrados, apresentam remunerações menores, como 85% ou 86% do CDI.

Um levantamento da Quantum Finance, divulgado ao Seu Dinheiro, demonstra a contração da oferta nos últimos dois anos, sobretudo nas LCIs. Em setembro de 2024, a Quantum registrou 2.180 emissões de LCAs; um ano depois esse número caiu para 1.740. Já as LCIs apresentavam apenas 29 títulos em setembro de 2024, reduzindo para 11 em 2025.

No acumulado até 17 de setembro de 2025, foram identificadas 405 emissões de LCAs, enquanto apenas uma emissão de LCI foi encontrada no mesmo período.

Essa retração também afetou os retornos. Nas LCAs pós‑fixadas com prazo de 12 meses, a taxa média passou de 93,3% do CDI em setembro de 2024 para 86,6% do CDI em 2025, indicando que o investidor tem menos opções e recebe uma fatia menor dos juros.

Especialistas consultados pelo Seu Dinheiro apontam três causas principais. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca que o Conselho Monetário Nacional (CMN) restringiu os ativos aceitos como lastro para LCIs e LCAs e elevou o prazo mínimo de vencimento de seis meses para um ano, reduzindo a capacidade de emissão desses papéis pelos bancos.

Além disso, após a crise provocada pelo Banco Master no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o CMN implementou um novo conjunto de regras para emissões bancárias garantidas pelo fundo, incluindo exigências de contribuição financeira dos bancos ao FGC e limites de capital em títulos públicos. Essas normas tornaram a emissão de CDBs, LCIs e LCAs mais cara e complexa.

Um terceiro fator está relacionado ao caixa dos bancos. No segundo semestre de 2025, o governo tentou eliminar a isenção de Imposto de Renda (IR) para investimentos incentivados, como LCIs e LCAs, com efeito previsto para 1º de janeiro de 2026. Embora a proposta não tenha sido aprovada e a isenção tenha sido mantida, as instituições financeiras anteciparam a emissão desses títulos para aproveitar a vantagem tributária, enchendo seus cofres e reduzindo a urgência de captar recursos.

Como já analisamos em cobertura anterior sobre a isenção de IR em LCIs, LCAs e demais títulos, o “pagar caro” para captar recursos se torna desnecessário quando o caixa está cheio, o que explica a queda nas taxas oferecidas.

Entre 2024 e 2026, a taxa Selic variou de 10% a 15% ao ano, recuando gradualmente para 13,75% no mês corrente. Essa volatilidade impacta dois aspectos críticos: a restrição de crédito pelos bancos, devido ao alto nível de inadimplência, e o aumento da demanda por títulos isentos pelos investidores, que buscam aproveitar o benefício tributário.

Quanto maior a Selic, maior o ganho relativo da isenção. Considerando a alíquota mínima de 15% de IR sobre investimentos tributados, um rendimento de 6% ao ano gera economia de imposto de 0,9 ponto percentual, enquanto um rendimento próximo a 15% eleva esse benefício para 2,25 pontos percentuais.

Em junho de 2026, o estoque de LCIs e LCAs superou R$ 1 trilhão, segundo dados da Anbima. Em mercados onde a demanda cresce e a oferta diminui, o preço dos títulos sobe, mas na renda fixa preço alto equivale a taxa baixa. Assim, as LCAs de 12 meses, que em setembro de 2024 pagavam em média 93,3% do CDI, renderam 90,1% do CDI em setembro de 2025, quando a Selic estava em 15% ao ano.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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