MP-SP requer condenação de Renato Cariani por associação ao tráfico, tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro; pena pode alcançar 51 anos
O Ministério Público de São Paulo (MP‑SP) apresentou pedido de condenação contra o influenciador e empresário Renato Cariani, acusando-o de associação para o tráfico, tráfico de insumos químicos destinados à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro, com possibilidade de pena que varia de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado; o acusado responde ao processo em liberdade.
A denúncia indica que a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, com sede em Diadema, na Grande São Paulo, simulou a venda de insumos químicos em 59 ocasiões, desviando o material para a produção de crack e cocaína.
Mensagens extraídas do celular de Cariani revelaram estreita relação com o policial civil Anadré Dziuba, atuante na área de controle e fiscalização de produtos químicos, demonstrando que o influenciador recebia informações sobre diligências, opinava sobre situações e sugeria empresas que poderiam ser alvos de fiscalização.
Em troca de mensagem datada de 11/04/2019, Cariani respondeu ao policial que determinada substância era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, evidenciando plena ciência do uso dos insumos no preparo de drogas.
A defesa, representada pelo advogado Aldo Romani Netto, afirmou ter recebido o pedido de condenação com naturalidade e que buscará a absolvição, alegando que as teses da acusação são improcedentes com base nas provas produzidas ao longo da instrução.
Além de Renato Cariani, o Ministério Público requereu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes, contabilizando 59 crimes de tráfico de insumos e 59 crimes de lavagem de dinheiro para cada réu.
O criminalista Anderson Almeida explicou que, considerando o acolhimento integral do pedido acusatório, a continuidade delitiva nas duas últimas séries e o concurso material entre os três grupos, a pena para cada réu pode oscilar entre 16 anos e 4 meses e 51 anos e 8 meses de reclusão, além de multas, aplicando o aumento de dois terços previsto na Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Almeida ressaltou que a pena máxima estimada não se confunde com o limite legal de cumprimento de pena de 40 anos, estabelecido no artigo 75 do Código Penal.
O MP‑SP também solicitou a absolvição de duas ex‑investigadas, cujos nomes não foram divulgados na peça acusatória.
Renato Cariani, que acumula mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023, a qual desmantelou um esquema de desvio de produtos químicos para a produção de drogas.
Na ocasião, a Polícia Federal apontou que a empresa da qual Cariani era sócio fraudava a venda de insumos a laboratórios farmacêuticos, simulando pedidos fictícios para justificar os desvios destinados ao refino de cocaína.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), notas falsas e e‑mails enviados a farmacêuticas foram parte da estratégia utilizada para camuflar o desvio dos produtos.
O Gaeco ainda destacou que as conversas do celular de Cariani demonstram que ele tinha ciência do controle insuficiente das retiradas da própria empresa e que atuava para proteger a associação ao tráfico, bem como para prejudicar concorrentes que comercializavam os mesmos insumos.
O processo encontra‑se atualmente em fase de alegações finais defensivas, e Cariani continua respondendo ao processo em liberdade.
Com informacoes de G1.

