MP-SP pede condenação de Renato Cariani após mensagens revelarem contato com policial para frear investigação

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/10/2026 17:30
MP-SP pede condenação de Renato Cariani após mensagens revelarem contato com policial para frear investigação

Foto: via G1

O Ministério Público de São Paulo (MP‑SP) apresentou, nas alegações finais do processo, pedido de condenação contra o influenciador Renato Cariani, alegando que mensagens extraídas de seu celular demonstram diálogos com um policial civil com o objetivo de conter uma investigação pré‑existente sobre sua atividade química.

A defesa de Cariani declarou que o pedido de condenação não surpreende e que pretende comprovar, com base nas provas produzidas ao longo da instrução, que as teses da acusação são improcedentes.

Conforme a denúncia, o policial André Dziuba teria enviado informações privilegiadas a Cariani e prestado auxílio, sendo as mensagens apresentadas contendo discussões sobre o andamento e o eventual arquivamento do inquérito.

Em troca de mensagens datada de 2019, Cariani descreveu uma substância como “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, indicando conhecimento sobre processos de refino.

Cariani foi alvo da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023, e sua empresa, a Anidrol, está acusada de simular vendas de produtos químicos em 59 ocasiões; o influenciador afirmou que “minha empresa foi vítima de uma quadrilha”.

O MP‑SP afirma que as mensagens extraídas do celular de Cariani têm especial relevância porque, além de reforçar a acusação principal, indicam atuação do influenciador sobre uma investigação anterior da Polícia Civil que apurava operações ligadas à farmacêutica AstraZeneca. O portal G1 questionou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

O documento aponta que Cariani recebia informações privilegiadas sobre diligências, buscava detalhes sobre o inquérito e participava de conversas acerca do encerramento do caso.

As alegações finais constituem a última manifestação do Ministério Público antes da sentença em processo criminal que acusa Cariani de associação para o tráfico, tráfico de matéria‑prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.

Os promotores ressaltam que a análise do celular tem “especial relevância” por reforçar a acusação principal e indicar uma atuação sobre a investigação anterior da Polícia Civil relacionada à AstraZeneca.

O MP‑SP também sustenta que Cariani “atuou de forma contínua para proteger a associação voltada ao fornecimento de insumos ao tráfico” e que “acompanhou de perto” o inquérito da Polícia Civil.

Além de Cariani, a promotoria pediu a condenação de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes; em relação a Roseli Dorth e Andreia Domingues Ferreira, citadas em outros documentos, o MP solicitou absolvição por entender que não há provas suficientes para condená‑las.

A defesa de Cariani, em nota ao G1, afirmou que o pedido de condenação “não representa nenhuma surpresa” e que demonstrará, com base nas provas produzidas ao longo da instrução, que as teses da acusação são improcedentes.

A investigação anterior mencionada pela promotoria trata‑se de um Inquérito Policial conduzido pela Polícia Civil, que tramitou na 2ª Vara Criminal de Diadema e foi arquivado em 2023. A defesa utilizou o arquivamento como argumento de inocência, mas o MP sustenta que o promotor não tinha conhecimento das mensagens extraídas do celular.

Quando o policial informou sobre o encerramento do inquérito, ambos comemoraram; o policial escreveu “Acabou, meu. É só tomar uma” e Cariani respondeu “Obrigado, Dezao! Bora tomar uma então?”. O policial acrescentou “Foi relatado em 19/01/2023 e arquivado”.

Segundo o memorial, o policial civil André Dziuba é descrito como servidor “vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos”. A promotoria afirma que as mensagens revelam proximidade entre os dois, com o policial recorrendo a Cariani para obter informações técnicas e comerciais relacionadas a fiscalizações.

Do lado de Cariani, o documento indica que ele recebia detalhes sobre diligências, opinava sobre situações fiscalizadas e até sugeria empresas que poderiam ser alvo de verificação, demonstrando, para os promotores, que ele “atuava não somente para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”.

Mensagens de 2021 mostram o policial tratando diretamente com Cariani a necessidade de sua oitiva no inquérito da AstraZeneca; em 16 de novembro de 2021, o policial escreveu: “Me fala uma coisa, me fala quando você vai estar com os meus suplementos aí na empresa e outra coisa, o escrivão precisa te ouvir naquele inquérito da AstraZeneca, mas isso nos vamos fazer ao seu tempo, não tem pressa”.

Em dezembro do mesmo ano, o tema foi retomado, e o policial questionou como Cariani desejava proceder em relação à oitiva, dizendo: “Se não der para você, deixa para outro dia, f... o escrivão”.

Para o Ministério Público, esse conjunto de trocas evidencia a participação de Cariani em proteger a associação voltada ao fornecimento de insumos ao tráfico e em influenciar as ações investigativas da Polícia Civil.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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