Moraes denuncia diálogos com Vorcaro como fantasiosos e acusa André Mendonça de farsa incriminatória

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 15/09/2026 08:00
Moraes denuncia diálogos com Vorcaro como fantasiosos e acusa André Mendonça de farsa incriminatória

Foto: via CNN Brasil

Em defesa apresentada a menos de 12 horas da sessão do Supremo Tribunal Federal que analisará o pedido de abertura de investigação contra ele, o ministro Alexandre de Moraes acusou o colega André Mendonça de conduzir a investigação com objetivo de criar "farsa incriminatória" nas vésperas das eleições, utilizando a palavra "ilegal" 26 vezes ao referir‑se à atuação de Mendonça.

Moraes fundamentou sua defesa nos relatórios de inteligência da Polícia Federal, que descreveu como apócrifos, para sustentar que a motivação da investigação seria político‑eleitoral e que há "tentativa de vingança" por parte dos aliados de quem tentou acabar com a democracia no país.

O ministro negou qualquer favorecimento a Daniel Vorcaro e ressaltou que, segundo contrato do escritório de sua esposa, o prazo 8/1 não se encerrou; afirmou ainda que o processo contra ele seria "tentativa de golpe" e que o suposto "panelaço" pedindo sua saída do STF foi registrado em São Paulo.

Em sua petição, Moraes declarou que "a tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas, assim como na primeira vez, o Supremo Tribunal Federal saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a defesa plena da Constituição, do Estado de Direito e da democracia".

O magistrado garantiu nunca ter atuado em nenhum caso envolvendo o Banco Master ou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, no âmbito do STF, afirmando que "não há nenhum elemento que indique a prática de qualquer conduta irregular ou qualquer infração penal pelo ministro Alexandre de Moraes".

Moraes também destacou o sucesso da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro sem indício de vazamento, e classificou como "ilação mais falsa, criminosa e mentirosa" a suposta existência de diálogos por mensagens entre ele e Daniel Vorcaro, definindo‑as como "mensagens minhas que nunca existiram" e "diálogos fantasiosos".

O ministro argumentou que a leitura dos metadados, a eventual correlação temporal e a atribuição de suposta autoria das mensagens carecem de perícia e são resultado de "análise subjetiva" a partir de "determinação e direcionamento" de Mendonça. Segundo ele, o então relator do caso Master "ignorou todas as possibilidades" relacionadas aos achados no celular de Vorcaro: o conteúdo do bloco de notas não ter sido efetivamente enviado a alguém; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado a diversas pessoas em momentos diversos da criação do screenshot; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem ter sido apagada antes de ser visualizada; o conteúdo do bloco de notas ter sido enviado, porém a mensagem nunca foi visualizada.

"O analista", escreveu Moraes referindo‑se ao colega do STF, "simplesmente escolhe o que lhe convém". As supostas mensagens entre Vorcaro e o ministro "simplesmente não existiram. Não existe diálogo, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens do ministro Alexandre de Moraes".

Moraes afirmou que houve direcionamento ilegal das investigações com o objetivo de "montar uma verdadeira farsa incriminatória com finalidade político‑eleitoral", aproveitando a proximidade das eleições presidenciais e a data de 7 de setembro, usada como mote para atos da direita. Segundo ele, desde 18 de maio, quando assinou a PET 15.625, Mendonça tinha conhecimento da citação a Moraes, mas deixou de encaminhar o caso ao plenário do STF e escolheu um período mais apropriado para "produzir sua farsa".

O ministro qualificou a decisão como "decisão inconstitucional, totalmente irregular e nula", argumentando que direcionar ilegalmente contra uns significa a tentativa de esconder outros, como demonstrado pelo levantamento do sigilo determinado pela Presidência da Corte.

Moraes ainda sustentou que os relatórios de inteligência da PF, apócrifos e sem "valor probatório", têm a mesma força probante de colaborações premiadas, devendo ser comprovados por outras provas. Por isso, ele solicitará ao presidente do STF a intimação de diversas testemunhas que presenciaram, em várias reuniões, os pedidos de Mendonça à Polícia Federal para solicitar medidas contra Moraes, bem como a inclusão de Mendonça, juntamente com o presidente do Senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada, mesmo sendo informado de que não havia indício mínimo de infração penal de ambos.

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Com informacoes de CNN Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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