STF realiza sessão plenária inédita para julgar relatório da PF sobre mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará, nesta terça‑feira (15), a partir das 10h, uma sessão plenária extraordinária para decidir sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que traz as mensagens trocadas entre o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A reunião foi convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, será transmitida ao vivo pela TV Justiça e terá acesso presencial restrito ao plenário.
Segundo a PF, foram identificadas 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes no período de dezembro de 2023 a novembro de 2025, data em que o empresário foi preso pela primeira vez. O relatório indica que os dois se encontraram presencialmente oito vezes e que Vorcaro solicitou ao ministro auxílio para conter as apurações do Banco Master e do Ministério Público Federal, chegando a perguntar, dois dias antes de sua prisão, se deveria deixar o país.
O documento da PF também apontou que Moraes participou da análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Paralelamente, as investigações sobre o Banco Master alcançaram frentes políticas e o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro. A PF deflagrou operações para apurar suposto direcionamento de emendas parlamentares a entidades culturais e produtoras ligadas à obra, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Go Up Entertainment, da produtora Karina Ferreira da Gama. Entre os investigados estão o ex‑deputado Mario Frias, o senador Flávio Bolsonaro – apontado como interlocutor direto dos repasses de R$ 62,8 milhões a Vorcaro – o deputado Eduardo Bolsonaro, citado por orientações sobre gestão de recursos nos EUA, e uma lista de parlamentares encontrada na churrasqueira do senador Ciro Nogueira.
Em âmbito internacional, o ministro André Mendonça autorizou o bloqueio de R$ 1,7 bilhão em bens e ativos de bancos vinculados a Vorcaro, incluindo obras de arte de Pablo Picasso e Jean‑Michel Basquiat, imóveis e embarcações de luxo. Não é a primeira vez que o STF mantém sob reserva investigações sobre o Banco Master, como já reportamos em cobertura anterior.
Na escalada do conflito, Moraes enviou ofícios formais ao presidente Edson Fachin acusando André Mendonça – relator das investigações do caso Master – de realizar um "levantamento seletivo" e um "direcionamento subjetivo" na liberação dos documentos sob sigilo. Segundo Moraes, apenas 15 procedimentos foram disponibilizados de forma parcial, com a supressão de 180 peças e arquivos digitais do sistema eletrônico da Corte, o que teria favorecido um grupo político específico e repetido condutas ilegais de direcionamento de acordos de delação premiada e investigações de ofício contra alvos predeterminados.
Moraes solicitou a Fachin três providências: (i) o levantamento total e irrestrito do sigilo de todos os procedimentos do caso Master; (ii) o julgamento conjunto, no plenário, do processo sobre suas mensagens com Vorcaro juntamente com o relatório que reúne acusações sobre a conduta de Mendonça nas operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero", que apontam suspeitas de assimetria, abuso de autoridade e direcionamento contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre; e (iii) a intimação de todos os ministros do STF e magistrados citados nos autos para prestarem informações e garantirem a defesa das prerrogativas do Judiciário.
André Mendonça rebateu as acusações, negando qualquer atitude seletiva. Ele afirmou que tornou públicos todos os procedimentos principais relacionados às conversas de Moraes e justificou a manutenção do segredo sobre trechos específicos como medida prudente para proteger investigações em andamento e preservar dados pessoais, bancários e fiscais de terceiros.
Nos dias que antecederam a sessão, os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mend... (informação incompleta nos documentos originais).
Com informacoes de G1 Política.

