Modelo ‘Janonismo’ se espalha entre esquerdas globais enquanto Lula planeja futuro do “Exército de Lula”
Após a vitória nas urnas, o presidente Lula enviou o primeiro áudio ao grupo conhecido como “Exército de Lula”, agradecendo ao eleitorado brasileiro e declarando que deve a eleição ao povo. Em paralelo, o deputado federal Kassab afirmou em entrevista ao programa Jogo Político que o governo Lula já procurou o PSD e que pode haver uma relação mais profunda entre as siglas.
O estrategista da campanha, popularmente chamado de “general” da campanha lulista contra Flávio Bolsonaro (PL), recebeu convite de duas lideranças de peso – a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o chefe de governo da Espanha, Pedro Sánchez – para visitar seus países e colaborar nas estratégias de mobilização.
A eleição na Espanha está marcada para o dia 29 deste mês, enquanto a próxima disputa presidencial no México está prevista para junho do próximo ano.
Na Argentina, foi criado o “Ejército del Peronismo”, que já conta com 65 mil seguidores até a última sexta‑feira, impulsionando nas primeiras semanas diversas mobilizações digitais contra o governo de Javier Milei, aliado de Flávio Bolsonaro.
Na França, o partido de esquerda France Insoumise, liderado por Jean‑Luc Mélenchon, segue a mesma linha e já reúne mais de 100 mil apoiadores.
Na esquerda espanhola, vários grupos adotam o modelo brasileiro. Eduardo Rubiño, coordenador da Frente Amplia – aliança que reúne diferentes movimentos de esquerda na Espanha – destaca que a virada de Lula chamou atenção pelo uso arrojado do WhatsApp e pela forma como “desafiou os algoritmos manipulados”.
Segundo Janones, uma das lições transmitidas ao “Exército” era a necessidade de os apoiadores entenderem como alimentar – ou não – os algoritmos das redes sociais, recomendando, por exemplo, a não interação com publicações de adversários, mesmo que críticas.
Rubiño afirma que o mais inovador foi transformar cidadãos em agentes que impulsionam a campanha, usando o WhatsApp não apenas para divulgar informações, mas para mobilizar pessoas, propor humor, linguagem da internet, missões e chamados à ação, algo que ele considera inédito em escala semelhante.
A Frente Amplia integra a gestão de Pedro Sánchez, do tradicional partido de esquerda PSOE, que tem como cabeça de chapa na eleição deste ano a ex‑prefeita de Barcelona, Ada Colau. Como a Espanha adota o parlamentarismo, a presença de mais de um candidato de esquerda não impede a formação de governo conjunto caso consigam maioria no Parlamento.
Sánchez foi um dos líderes mundiais que convidaram Janones para colaborar, e o seu grupo político criou o canal “La fuerza de la gente” (“A força das pessoas”), que até a última sexta‑feira reunia cerca de 50 mil pessoas.
A estrategista brasileira Nani Blanco, sócia‑fundadora da agência Nuvem, avalia que colocar o eleitor como peça central foi a grande sacada do “Exército”. Ela explica que a mobilização transformou o eleitor em um ativo da campanha, fazendo as informações circularem rapidamente, e que o modelo pode ser aplicado em outros lugares, desde que se considere o nível de uso do WhatsApp, ferramenta muito forte no Brasil.
Blanco ressalta que, a partir de agora, Lula deve aproveitar a mobilização, mas sem transformar o governo em uma “campanha permanente”. Ela alerta que não basta manter a estrutura de campanha; o presidente precisa entregar as mudanças que a população espera, e o maior legado possível dessa experiência seria uma comunicação pública mais próxima da sociedade.
Lula e Janones se encontraram em Brasília na quinta‑feira, e o nome do “general” da campanha começou a ser cogitado para ocupar um cargo no governo, embora ainda não tenha sido definido.
Com informacoes de O GLOBO.

