Flávio Bolsonaro não esclarece fuga e anuncia intenção de concorrer à presidência antes de 2030

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 01/11/2026 06:12
Flávio Bolsonaro não esclarece fuga e anuncia intenção de concorrer à presidência antes de 2030

Foto: via Congresso em Foco

Na noite de sexta-feira, 30 de novembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) publicou seu primeiro vídeo gravado nos Estados Unidos desde que deixou o Brasil, contrariando a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de sair do país.

A transmissão, com duração aproximada de 17 minutos, trouxe declarações nas quais o candidato derrotado à Presidência afirmou que pretende disputar uma nova eleição presidencial antes de 2030, ao afirmar: "Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso".

Flávio Bolsonaro também previu que uma crise econômica poderia provocar a queda antecipada do presidente Luiz Inácio Lula (PT), sustentando que "O Brasil está fadado a quebrar", sem apresentar dados que comprovem a afirmação.

O resultado da eleição presidencial de 2026 foi de 51,79% dos votos válidos para Luiz Inácio Lula e 48,21% para Flávio Bolsonaro.

Segundo o senador, a decisão de deixar o país foi tomada após ser intimado pela Polícia Federal na segunda‑feira, 26 de novembro, ao retornar de visita ao pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Flávio declarou que a escolha foi feita junto à esposa, Fernanda, sem comunicar previamente a aliados, alegando que "se soubesse, a chance de dar errado seria maior".

O senador relatou que a família atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu (PR) e entrou na Argentina pela cidade de Puerto Iguazú, utilizando seu passaporte italiano, reconhecido em 2023 após a confirmação de sua cidadania europeia.

De acordo com informações divulgadas, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, onde houve uma parada para reabastecimento, e seguiu para Miami, na Flórida, chegando na manhã de quarta‑feira, 28 de novembro.

Para entrar nos Estados Unidos, Flávio utilizou seu passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal por não ter sido entregue no prazo estabelecido pela decisão de Moraes. O passaporte brasileiro comum e o diplomático foram cancelados; o passaporte italiano permaneceu válido.

Reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal apontam que a fuga contou com auxílio do governo de Donald Trump. Segundo os jornais, Jason Miller, integrante da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular utilizado pela família, e o presidente dos Estados Unidos teria autorizado a entrada de Flávio nos EUA por meio de um mecanismo de admissão temporária conhecido como parole.

A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais, embora não exista ordem de prisão contra Flávio Bolsonaro no momento da saída do país.

No vídeo, o senador voltou a acusar o Judiciário de perseguição política e questionou a legitimidade do resultado eleitoral, sem apresentar provas de fraude. Ele alegou que Lula teria cometido irregularidades durante a campanha e que algumas situações seriam "matematicamente impossíveis", sem demonstrar as alegações.

Flávio Bolsonaro afirmou que decidiu deixar o Brasil para continuar se manifestando politicamente e evitar o que considera uma tentativa de silenciá‑lo, declarando: "Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil".

O senador está sendo investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, a quem teria pedido US$ 34 milhões para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades e sustenta que a investigação tem motivação política.

Quanto à eventual queda de Lula, Flávio ressaltou que isso não provocaria automaticamente uma nova eleição presidencial. Em caso de impeachment, o vice‑presidente Geraldo Alckmin assumiria o cargo. A Constituição prevê que nova eleição só seria convocada em caso de vacância dos dois postos: nos dois primeiros anos do mandato, a escolha seria feita diretamente pelos eleitores; nos dois últimos, caberia ao Congresso Nacional eleger os substitutos. Outra hipótese seria a cassação da chapa presidencial pela Justiça Eleitoral, sujeita a regras próprias.

Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro também defendeu o senador Rogério Marinho (MDB) para o Senado, lembrando declarações anteriores de Marinho sobre a falta de provas de fraude eleitoral.

Não é a primeira vez que o senador recebe apoio externo; em cobertura anterior do portal, foi relatado que Donald Trump afirmou que Flávio Bolsonaro poderia permanecer nos Estados Unidos indefinidamente e que não havia planos de encontro, bem como que o presidente dos EUA evitou reconhecer Flávio como vencedor, mas confirmou autorização para sua entrada no país.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.