Ministro Toffoli, banqueiro Daniel Vorcaro e fundo Arleen: detalhes de suspeita de movimentação de R$35 milhões e suposta influência em voto de precatórios

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/09/2026 08:20
Ministro Toffoli, banqueiro Daniel Vorcaro e fundo Arleen: detalhes de suspeita de movimentação de R$35 milhões e suposta influência em voto de precatórios

Foto: via revista piauí

Há sete meses, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, recebeu um relatório da Polícia Federal que traz suspeitas gravíssimas sobre a relação entre o ministro José Antonio Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O documento, ao qual a revista Piauí teve acesso, aponta que o fundo de investimento Arleen recebeu ao menos R$35 milhões de reais de Vorcaro e, por meio de uma transação com a holding Egide I, os recursos foram direcionados às Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe.

O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, propriedade de Toffoli e sua família em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Segundo o relatório, em determinado momento o Arleen, que pertencia ao banqueiro, mudou de proprietário, passando para as mãos de um empresário amigo de Toffoli. Em seguida, o fundo alterou seu regulamento para permitir investimentos no exterior e, meses depois, transferiu todos os seus ativos para a Egide I, registrada no paraíso fiscal caribenho.

O relatório da PF afirma: "Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos". Em outro trecho, constam as palavras: "Documentos e comunicação [...] sugerem uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Edige I Holding nas Ilhas Virgens Britânicas".

Consultado sobre a existência de recursos no exterior e a eventual declaração no Imposto de Renda, o gabinete do ministro Toffoli enviou nota à revista Piauí declarando que "o ministro jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior" e acrescentou que "o ministro jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas".

A operação para enviar recursos ao exterior teria ocorrido ao longo de 2025. Em fevereiro, o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e dono da empresa de segurança FS Security, adquiriu o fundo Arleen. No mês seguinte, registrou a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e, no mesmo mês, alterou o regulamento do Arleen para autorizar investimentos no exterior. Em novembro, o Arleen começou a se desfazer de suas cotas e, em dezembro, transferiu cerca de R$34 milhões de reais para a Egide no exterior. O relatório conclui que "pode‑se afirmar que todo o ativo do Arleen [...] é transferido para a Egide I Holding na liquidação do fundo".

Outra suspeita grave do relatório indica que Vorcaro poderia ter influenciado um voto de Toffoli em uma causa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, beneficiando o banqueiro. A destilaria Alcídia, pertencente ao grupo Atvos, cobrava da União a reparação de prejuízos causados na década de 1980. A decisão sobre o caso teria impacto direto sobre a carteira de precatórios do Banco Master, que somava mais de R$10 bilhões. Se a Alcídia vencesse, o Master seria favorecido. O diretor jurídico do Master, André Kruschewsky, enviou mensagem a Vorcaro dizendo: "É importante! Serve de paradigma para nossos casos."

Toffoli, historicamente favorável às usinas nas ações de precatórios, mudou de posicionamento dias antes do julgamento da Alcídia, votando ao contrário de seu histórico e decidindo a favor da União. A notícia de que Toffoli "virou voto" foi recebida como uma bomba pelo Master, gerando a reação de Fábio Faria, ex‑ministro das Comunicações e ajudante de ordens e lobista de Vorcaro, que escreveu: "Matou a gente. Comecei a suar. Pqp".

O diretor jurídico do Banco Master, André Kruschewsky, então propôs ao banqueiro: "Vamos nos movimentar?" Vorcaro respondeu em sequência: "Estou acompanhando", "Mais do que imagina", "Tá uma pica isso" e, ao tomar conhecimento da mudança de voto, escreveu: "Toffoli virou o voto" e "Tô tratando aqui". Em troca, Kruschewsky ofereceu seus serviços para tentar adiar o julgamento do caso da Alcídia, dizendo: "Se precisar de ajuda, para tirar de pauta, avisa!". A Polícia Federal registrou que o diretor jurídico "aparenta ter acesso ao STF inclusive para ‘tirar de pauta’ o processo em questão".

No dia em que o caso deveria ser julgado, o ministro Kassio Nunes Marques pediu..."

Com informacoes de revista piauí.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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