Ministro do STJ declara impedimento e depois decide sobre ações do Banco Master seis meses depois
Em março de 2024, o ministro Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), protocolou declaração de impedimento para julgar qualquer processo relacionado ao Banco Master, alegando conflito de interesses.
Apesar da declaração, em setembro de 2024 o mesmo ministro concedeu uma liminar que determinou o cancelamento imediato de dezesseis (16) precatórios de usinas de açúcar e etanol que haviam negociado créditos com o Banco Master. A medida barrou a liberação dos valores e ordenou que o montante bilionário fosse devolvido à Conta Única do Tesouro Nacional no prazo de cinco (5) dias.
No dia seguinte à publicação da liminar, em 24 de setembro de 2024, o ministro também determinou a realização de inspeção extraordinária no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF‑1). A investigação visa a tramitação de processos do setor sucroalcooleiro, após apuração identificar que a esposa e o filho do desembargador assinaram contratos milionários de honorários com o Banco Master vinculados às mesmas causas de precatórios.
Em abril de 2024, Gonçalves participou como palestrante de um evento jurídico em Londres, evento este patrocinado pelo Banco Master, fato que reforçou questionamentos sobre sua imparcialidade.
Em julho de 2024, o empresário Vorcaro entrou em contato com o ministro para agendar um encontro em Brasília, chamando‑o de "grande amigo". Gonçalves respondeu de forma solícita, afirmando "Sempre à disposição" e, em mensagem subsequente, "E aqui sempre à disposição".
O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utilizou o adjetivo "bizarro" ao afastar um desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ‑AL), caso que também esteve ligado a controvérsias envolvendo o Banco Master.
Com informacoes de O GLOBO.

