Mercado aposta que Copom interromperá cortes na Selic e reconhecerá piora do cenário econômico

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/11/2026 18:00
Mercado aposta que Copom interromperá cortes na Selic e reconhecerá piora do cenário econômico

Foto: via Valor Econômico

A atenção dos mercados está voltada para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, especialmente para as novas projeções de inflação e para a avaliação do Banco Central (BC) sobre a piora do cenário econômico. O desafio será explicar como a desvalorização da taxa de câmbio, o aumento dos prêmios de risco e a deterioração das expectativas inflacionárias afetam o espaço para redução dos juros, mesmo com sinais de enfraquecimento da atividade.

A decisão do Copom também tem um componente político relevante, já que é a primeira reunião após as eleições. Nos últimos dias, diante da deterioração dos mercados, cresceu a pressão política sobre a autoridade monetária para que o processo de redução dos juros continue. Além disso, o mercado tem reagido a especulações sobre a adoção de uma política econômica mais heterodoxa no governo Lula, o que elevou os prêmios de risco exigidos pelos investidores.

Um dos principais termômetros será a estimativa de inflação para o segundo trimestre de 2028, que passa a ser o horizonte relevante da política monetária. Simulações da XP e do Santander apontam para uma projeção de 3,5% para esse período. O Itaú, em relatório de 30 de outubro, estimava 3,4%, mas alertou que a atualização das expectativas da pesquisa Focus poderia alterar o resultado. Na reunião anterior, a projeção divulgada pelo Copom era de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028.

Essas contas combinam diferentes forças. O dólar e o petróleo mais caros pressionam a projeção de inflação, assim como expectativas mais distantes da meta. Já uma trajetória de juros mais alta, também incorporada ao cenário de referência por meio do Focus, atua na direção contrária. Há ainda uma ressalva: a taxa de câmbio usada nas simulações, próxima de R$ 5,20, reflete uma média dos dias anteriores e fica abaixo das cotações observadas após a eleição. Assim, a projeção pode não incorporar integralmente a pressão cambial mais recente. Na manhã desta quarta-feira, por exemplo, o dólar era negociado acima de R$ 5,45.

No comunicado, será importante observar como o Copom qualificará a deterioração do cenário. O Itaú espera que o ambiente externo deixe de ser descrito como “incerto” e passe a ser considerado “adverso”, diante da alta do petróleo e do aperto das condições financeiras internacionais. No quadro doméstico, a atenção estará no reconhecimento de uma piora adicional das expectativas de inflação. Não há grande expectativa no mercado em relação a um retorno do “forward guidance” ou a uma indicação do Copom sobre quanto tempo a taxa Selic poderá ficar parada.

Os economistas do Santander esperam uma pausa sem compromisso com a retomada dos cortes ou com um encerramento definitivo do ciclo de flexibilização. Já o Itaú prevê uma comunicação de interrupção, com reforço da cautela.

Em paralelo, os democratas ampliaram o alcance eleitoral nos Estados Unidos, conquistando cadeiras em redutos republicanos como Iowa, Kansas, Texas e Wisconsin, onde agricultores foram atingidos pelas tarifas globais de Trump e pelos altos preços dos combustíveis. No Brasil, a Relatoria da LDO deve ficar com senador do PL após a recusa de Tereza Cristina; o convite à senadora do PP fazia parte da estratégia de Alcolumbre, que disputará a reeleição pelo comando da Casa em 2027. Senadores de governo e oposição pediram que Alcolumbre antecipe a votação da MP das bets, com a ideia de que a medida possa ser votada ainda na atual legislatura, que se encerra em 31 de janeiro de 2027.

Dólar e juros futuros fecharam em queda com alívio externo e expectativa por pronunciamento de Lula; o Ibovespa subiu mais de 1%. Investidores aguardam a decisão do Copom, enquanto acompanham também as eleições na América.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.