Magazine Luiza registra alta de quase 50% na semana impulsionada pela queda dos juros futuros
A ação da Magazine Luiza subiu de forma expressiva nesta tarde, acumulando ganhos de quase 50% ao longo da semana, em reação ao recuo dos juros futuros no mercado.
A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou para 13,432%, contra 13,441% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2029 caiu para 12,24%, de 12,315%, e o DI para janeiro de 2031 recuou para 12,29%, de 12,447% no ajuste de ontem.
Outras ações do setor varejista também apresentaram desempenho positivo: as ações da Lojas Renner (LREN3) avançaram 7,7%, as da C&A (CEAB3) subiram 5,75% e as da Assaí (ASAI3) ganharam 3,63%.
Segundo o BTG Pactual, a valorização dos papéis do varejo tem sido impulsionada pela diminuição da percepção de risco macroeconômico e político, o que reduz a taxa de retorno exigida pelos investidores para aplicar em ações. O banco indica que, apesar da alta recente, ainda há espaço para ganhos expressivos, sustentados por quatro fatores: possível redução adicional dos riscos macroeconômicos, maior disposição dos investidores para assumir riscos, menor custo de capital próprio e um eventual ciclo de corte da Selic.
Entretanto, o BTG alerta que, em um setor estruturalmente mais competitivo, a seleção de ações será consideravelmente mais importante do que nas recuperações anteriores, pois a valorização anterior foi impulsionada principalmente pela exposição geral ao cenário macroeconômico.
Em sua análise, o BTG considerou o endividamento de cada companhia, a exposição ao CDI e a posição de caixa, adotando a hipótese de queda de 1 ponto percentual na taxa básica de juros de referência para o CDI em 2027. O modelo projeta juros de 12,5% ao final do próximo ano, premissa que pode ser revisada para baixo caso o ambiente macroeconômico se torne mais favorável.
Com base nessa simulação, uma redução de 1 ponto percentual na Selic elevaria o lucro da Magazine Luiza em aproximadamente 19%, seguida pelo Assaí, com alta de 9,9%. O efeito seria também relevante para Pague Menos (PGMN3) e Grupo SBF (SBFG3), que teriam aumentos de 5,7% e 5,1%, respectivamente. Entre as demais empresas, o Grupo Mateus (GMAT3) teria um ganho estimado de 1,8%.
O Itaú BBA, ao analisar o endividamento, coloca Magazine Luiza, Pague Menos e Lojas Quero-Quero (LJQQ3) entre as empresas que mais se beneficiarão diretamente da queda dos juros. O banco calcula que as ações dessas três companhias, assim como as da Smart Fit (SMFT3), C&A, Grupo SBF e Allied (ALLD3), apresentam potencial de valorização superior a 40% em um cenário de alívio que poderia levar os juros reais a 6%.
Segundo o Itaú BBA, a normalização dos múltiplos deve ser um dos fatores mais poderosos de valorização em um ambiente de queda dos juros. Enquanto a avaliação das ações ficou em segundo plano nos últimos anos, esse cenário pode estar mudando.
Com informacoes de Estadão.

